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Comércio do Amazonas recua pelo segundo mês seguido

Vendas caíram 2,8% em maio e passaram a acumular retração de 0,8% no ano, enquanto o varejo brasileiro permaneceu praticamente estável

O comércio varejista do Amazonas registrou queda de 2,8% no volume de vendas em maio, na comparação com abril, já descontados os efeitos sazonais. Foi o segundo resultado negativo consecutivo no estado, após a retração de 3,8% observada no mês anterior.

Os números fazem parte da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No cenário nacional, as vendas apresentaram variação positiva de apenas 0,1%, indicando estabilidade do setor no período.

O desempenho confirma a perda de ritmo do comércio amazonense no segundo trimestre de 2026. Depois de avançar nos primeiros meses do ano, o setor passou a enfrentar uma sequência de resultados negativos que levou os indicadores acumulados para o campo da retração.

Entre as unidades da Federação, Rondônia e Roraima apresentaram as maiores quedas mensais, ambas de 3,4%. Na outra ponta, o Distrito Federal liderou o crescimento, com alta de 1,6%, seguido por Paraíba, Alagoas e Acre, que avançaram 1,5%.

Queda chega a 4,5% em um ano

Na comparação com maio de 2025, o volume de vendas do varejo amazonense recuou 4,5%. O resultado aprofundou a queda de 1% registrada em abril e interrompeu definitivamente a recuperação observada em março, quando o setor havia crescido 7,1% sobre o mesmo mês do ano anterior.

No Brasil, o comércio varejista avançou 0,4% em relação a maio de 2025. A diferença mostra que o desempenho do Amazonas ficou abaixo da média nacional tanto na comparação mensal quanto na análise anual.

A retração do volume de vendas significa que os estabelecimentos comercializaram uma quantidade menor de produtos, independentemente do aumento nominal da receita provocado pelos preços. O indicador é importante porque ajuda a medir o comportamento real do consumo das famílias e das atividades comerciais.

O resultado pode refletir uma combinação de fatores, como maior cautela dos consumidores, pressão dos preços sobre o orçamento familiar, custo do crédito e características próprias da economia amazonense. A PMC, contudo, não apresenta causas específicas para o desempenho de cada estado.

Varejo passa a acumular queda no ano

Com o resultado de maio, o comércio do Amazonas passou a acumular retração de 0,8% entre janeiro e maio, na comparação com o mesmo período de 2025.

A mudança foi rápida. Em março, o varejo ainda apresentava crescimento acumulado de 0,6%. Em abril, o avanço havia diminuído para 0,2%. Com a nova queda, o indicador entrou no campo negativo.

Enquanto isso, o comércio brasileiro acumulou crescimento de 1,7% nos cinco primeiros meses do ano. O resultado nacional também perdeu força, mas permaneceu positivo.

Para o setor produtivo, a sequência de retrações acende um sinal de atenção. O comércio tem papel relevante na geração de empregos e na circulação de renda, principalmente em Manaus, onde se concentra grande parte dos estabelecimentos e do consumo do estado.

A continuidade da queda pode levar empresas a rever estoques, investimentos, contratações e estratégias de venda. Promoções, renegociação com fornecedores e ampliação dos canais digitais estão entre as alternativas usadas pelo varejo para reagir a períodos de menor demanda.

Resultado em 12 meses também fica negativo

No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em maio, o comércio varejista amazonense apresentou queda de 0,5%. Em abril, a retração era de 0,1%, enquanto em março o indicador ainda mostrava leve crescimento de 0,1%.

O movimento demonstra que a perda de dinamismo não está limitada a um único mês. A sucessão de resultados negativos passou a afetar também a tendência de prazo mais longo.

No Brasil, o volume de vendas acumulou crescimento de 1,4% em 12 meses. Embora positivo, o índice nacional também mostra moderação do consumo e redução do ritmo de expansão do varejo.

Os próximos resultados serão decisivos para indicar se a retração no Amazonas é temporária ou se representa uma tendência mais prolongada. Para reverter o quadro, o setor dependerá da evolução da renda, do emprego, da inflação e das condições de crédito ao consumidor.

Foto – Ulisson Santos/Semed 

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