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Manaus prepara escolas ribeirinhas para enfrentar estiagem

Planejamento da Semed alcança 48 unidades nos rios Negro e Amazonas e prevê ações pedagógicas, visitas técnicas, água potável e apoio a cerca de três mil famílias

A Prefeitura de Manaus iniciou, nesta quinta-feira (16), o planejamento para reduzir os impactos da estiagem sobre as 48 escolas municipais localizadas em comunidades ribeirinhas dos rios Negro e Amazonas.

A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) e atende a uma determinação do prefeito Renato Junior. O objetivo é garantir a continuidade do ensino e oferecer assistência aos estudantes e às famílias que podem enfrentar dificuldades de deslocamento, abastecimento e acesso a serviços essenciais durante a descida dos rios.

As escolas ribeirinhas já funcionam com um calendário diferenciado, adaptado à realidade das comunidades. Nessas unidades, o ano letivo começa em janeiro e termina em outubro, antecipando as atividades escolares para reduzir os prejuízos provocados pelo período mais crítico da seca.

A preparação ganha importância diante da possibilidade de uma estiagem severa, com efeitos semelhantes aos registrados em 2023, quando a redução histórica do nível dos rios isolou comunidades, dificultou o transporte de alunos e comprometeu o abastecimento de água e alimentos.

O plano será executado nas áreas pedagógica, de infraestrutura e de georreferenciamento. A partir da próxima semana, equipes da Semed deverão visitar cada uma das 48 escolas para verificar as condições de acesso, identificar necessidades e estabelecer medidas específicas para cada comunidade.

O levantamento permitirá acompanhar a redução dos níveis dos rios e mapear os pontos onde o transporte escolar fluvial pode ser prejudicado. Também serão avaliadas as estruturas das escolas, o abastecimento de água e as condições para manutenção das atividades pedagógicas.

Segundo o secretário municipal de Educação, Arone Bentes, a expectativa é atender aproximadamente três mil estudantes e suas famílias nas comunidades ribeirinhas.

“Estamos reunidos com a equipe da Semed, seguindo determinação do prefeito Renato Junior, para traçar o plano de estiagem da educação municipal. A partir da próxima semana, serão realizadas visitas a cada escola, com definição de metas pedagógicas e de um plano de assistência para suprir as famílias com mantimentos e água potável”, afirmou.

Estiagem afeta acesso e permanência dos alunos

Nas áreas rurais de Manaus, a queda do nível dos rios modifica completamente a rotina escolar. Em alguns locais, as embarcações deixam de chegar até as comunidades, obrigando estudantes e trabalhadores da educação a percorrer longas distâncias por áreas de lama, bancos de areia ou trilhas improvisadas.

Além do transporte, a seca pode comprometer o fornecimento de água para consumo, alimentação e higiene. Por isso, o planejamento da prefeitura também prevê ações de assistência para reduzir os impactos sobre as famílias atendidas pela rede municipal de ensino.

A estratégia deverá incluir a reorganização de atividades pedagógicas, caso o acesso a determinadas escolas seja interrompido. O objetivo é evitar perdas no aprendizado e garantir que os estudantes cumpram o calendário escolar, mesmo diante das dificuldades impostas pela estiagem.

Prevenção busca evitar interrupção das aulas

Ao antecipar o planejamento, a Prefeitura de Manaus busca evitar que as medidas sejam adotadas somente quando as comunidades já estiverem isoladas.

As informações coletadas durante as visitas deverão orientar o envio de equipes, mantimentos, água potável e materiais necessários para o funcionamento das escolas. O georreferenciamento também permitirá acompanhar com maior precisão a situação de cada unidade.

A expectativa é que o plano seja atualizado de acordo com a evolução do nível dos rios e com os alertas emitidos pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento hidrológico.

Para as comunidades ribeirinhas, a antecipação das ações representa uma tentativa de garantir que a estiagem não se transforme também em exclusão educacional. O desafio será manter o acesso às escolas e assegurar condições dignas de aprendizagem durante um dos períodos mais difíceis do calendário amazônico.

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