Morre Renato Machado, referência do telejornalismo brasileiro
Ex-apresentador do “Bom Dia Brasil” construiu uma carreira de mais de quatro décadas como âncora, editor, repórter e correspondente internacional
O jornalista Renato Machado, um dos nomes mais reconhecidos da televisão brasileira, morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não havia sido divulgada até a publicação desta matéria.
A informação foi confirmada pela TV Globo, emissora na qual Renato construiu uma carreira de mais de quatro décadas. Ao longo de sua trajetória, atuou como apresentador, editor-chefe, repórter especial e correspondente internacional, participando de algumas das principais coberturas jornalísticas do país e do exterior.
Com voz serena, postura elegante e capacidade de traduzir acontecimentos complexos para o público, Renato Machado tornou-se uma das referências do telejornalismo brasileiro. Seu rosto ficou especialmente associado ao “Bom Dia Brasil”, programa que comandou por cerca de 15 anos e ajudou a consolidar como um dos principais telejornais matinais do país.
Do jornal impresso à televisão
Nascido no Rio de Janeiro, em 21 de março de 1943, Renato Machado formou-se em Direito e Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Antes de se firmar na televisão, trabalhou no jornalismo impresso, incluindo uma passagem pelo Jornal do Brasil.
Ele ingressou na TV Globo em 1982 e, logo no início da trajetória na emissora, apresentou o “Jornal da Globo”. Também esteve à frente do “RJTV” e participou eventualmente da apresentação do “Jornal Nacional”, além de trabalhar em programas como “Fantástico” e “Globo Repórter”.
A carreira de Renato também foi marcada pela atuação internacional. Como correspondente, acompanhou acontecimentos políticos, conflitos, atentados e transformações que ajudaram a definir as últimas décadas do século 20.
Em Londres, cobriu episódios como os atentados atribuídos ao Hezbollah em Paris e o acidente nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986. Também realizou reportagens sobre política, economia, cultura e comportamento na Europa.
Uma geração acordou com Renato Machado
Foi no “Bom Dia Brasil” que Renato Machado construiu uma das relações mais duradouras de sua carreira com o público. Ele assumiu a apresentação e a edição do telejornal em 1996, período em que o programa ampliou a cobertura política e econômica e passou a ocupar um espaço ainda mais relevante na programação da Globo.
Durante anos, milhões de brasileiros iniciaram o dia acompanhando sua apresentação. Renato dividiu a bancada com jornalistas como Leilane Neubarth e Renata Vasconcellos, combinando sobriedade na notícia com comentários sobre cultura, gastronomia e cotidiano.
Em 2011, deixou a bancada do telejornal e retornou a Londres como correspondente internacional. Permaneceu ligado ao “Bom Dia Brasil” até 2015, quando voltou ao Brasil e passou a produzir reportagens especiais para o “Globo Repórter”.
O jornalista também ficou conhecido por seu interesse por vinhos e gastronomia. Essa aproximação apareceu em séries especiais e reportagens produzidas em diferentes regiões europeias, nas quais relacionava alimentos, bebidas, história e identidade cultural.
Legado de credibilidade e elegância
Renato Machado atravessou diferentes fases da televisão brasileira, da época em que os telejornais tinham estruturas mais rígidas ao período de maior informalidade e interação entre apresentadores.
Mesmo com as mudanças, preservou uma característica própria: a condução tranquila da notícia, sem transformar o apresentador no centro do acontecimento. Essa postura ajudou a construir uma imagem de credibilidade e respeito junto ao público.
Sua morte encerra a trajetória de um profissional que participou da formação de diferentes gerações de jornalistas e telespectadores. Mais do que a passagem por grandes programas, Renato deixa como legado a defesa de um jornalismo marcado pela informação clara, pela cultura e pelo equilíbrio.
Até a publicação desta matéria, não haviam sido divulgadas informações sobre velório e sepultamento.


