ELEIÇÕES 2026MEIO AMBIENTE

Sociobioeconomia leva 46 propostas ao debate das Eleições 2026

Mobilização nacional reúne mais de 40 organizações e cobra dos candidatos políticas para crédito, territórios e produção

Uma rede nacional formada por mais de 40 organizações de indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares quer colocar a sociobioeconomia no centro da disputa sobre os rumos do desenvolvimento brasileiro nas Eleições 2026.

A campanha suprapartidária “Sociobio nas Urnas” foi lançada no início de setembro pelo Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio) e apresenta 46 propostas de políticas públicas, distribuídas em oito eixos temáticos, aos candidatos deste ciclo eleitoral. O lançamento ocorreu de forma on-line.

A mobilização é nacional, e não uma agenda exclusiva dos estados amazônicos. As propostas tratam de questões que passam por políticas federais e também por medidas que podem alcançar outras esferas de governo, como crédito, infraestrutura, fomento, regularização e proteção dos territórios e adequação de regras sanitárias às características da produção da sociobiodiversidade.

Há, porém, uma ressalva importante: o material disponibilizado não apresenta uma divisão das 46 propostas por cargo — presidente, governador, senador ou deputado — nem uma relação que permita afirmar que determinada reivindicação será encaminhada especificamente ao governo do Amazonas ou aos governos de determinados estados. Por isso, seria incorreto atribuir essa destinação sem a carta detalhada.

Disputa por recursos

Um dos argumentos centrais da campanha é a desigualdade no acesso às políticas de financiamento.

Dados apresentados pelas organizações mostram que, entre 2013 e 2025, 91,6% do crédito rural foi destinado a médios e grandes produtores, contra 8,4% para a agricultura familiar.

A diferença aparece até no Pronaf, programa criado justamente para fortalecer a agricultura familiar. Entre 2020 e 2024, segundo o manifesto, foram destinados R$ 151,7 bilhões à produção de commodities e R$ 3,26 bilhões à sociobioeconomia — uma diferença de 46,5 vezes.

A reivindicação, portanto, vai além da conservação ambiental. O movimento quer disputar política econômica, crédito e investimento público.

Economia existente

A sociobioeconomia reúne atividades econômicas desenvolvidas por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares a partir da biodiversidade, dos conhecimentos tradicionais, da inovação e dos sistemas produtivos locais.

Segundo estimativas do ÓSocioBio citadas pela campanha, essa economia já movimenta R$ 17,4 bilhões e mantém 525 mil postos de trabalho no Brasil. Os territórios desses povos e comunidades ocupam aproximadamente um quarto do território nacional e mais da metade da Amazônia.

É justamente essa dimensão econômica que o movimento pretende levar à campanha eleitoral: a defesa de que floresta em pé, biodiversidade e conhecimento tradicional não sejam tratados apenas como política ambiental, mas como parte de uma estratégia de desenvolvimento.

Eleição e cobrança

A estratégia não termina antes das urnas.

As organizações pretendem apresentar as propostas aos candidatos durante a campanha e colher compromissos públicos. Depois das eleições, as adesões serão utilizadas para acompanhar e cobrar os futuros mandatos. Cidadãos também podem apoiar a mobilização por meio de abaixo-assinado.

A iniciativa ganha peso especial na Amazônia, onde grande parte da discussão sobre desenvolvimento ainda passa pela escolha entre modelos de exploração dos recursos naturais. Ao entrar no debate eleitoral, a sociobioeconomia tenta deslocar essa discussão: não apenas quanto da floresta será protegido, mas quem terá crédito, infraestrutura e incentivo público para produzir riqueza mantendo a floresta em pé.

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