Roberto Cidade escolhe Marco Aurélio Choy para o TJAM
Subtítulo: Ex-presidente da OAB-AM e procurador do Município de Manaus foi escolhido pelo governador em lista tríplice formada pelo Tribunal de Justiça.
O governador Roberto Cidade escolheu o advogado Marco Aurélio de Lima Choy para ocupar uma das cadeiras de desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A nomeação coloca na Corte um dos nomes mais conhecidos da advocacia amazonense e encerra uma disputa que mobilizou a categoria e os bastidores jurídicos e políticos nos últimos meses.
Choy chega ao TJAM pelo Quinto Constitucional, mecanismo que reserva parte das vagas dos tribunais a integrantes da advocacia e do Ministério Público. No caso desta vaga, destinada à advocacia, o processo começou na OAB-AM, passou pelo Tribunal de Justiça e terminou na mesa do governador, responsável pela escolha entre os três nomes finalistas.
A lista tríplice aprovada pelo TJAM era formada por Grace Anny Fonseca Benayon Zamperlini, Marco Aurélio Choy e Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho. Na votação dos desembargadores, Grace recebeu 21 votos, Choy, 20, e Carlos Alberto, 18. A decisão final, porém, cabia ao chefe do Executivo estadual, que optou por Choy.
A vaga foi aberta com a aposentadoria compulsória do desembargador Domingos Jorge Chalub Pereira, que deixou o TJAM em agosto de 2025 ao completar 75 anos, depois de 21 anos na Corte.
Da OAB ao Tribunal
A escolha leva ao Tribunal um advogado com longa atuação institucional.
Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Choy é mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza. É professor universitário, procurador do Município de Manaus e já exerceu a presidência da OAB-AM por dois mandatos consecutivos, entre 2016 e 2021. Também integra o Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol.
O novo desembargador tem, portanto, uma trajetória construída tanto na advocacia privada quanto em espaços institucionais de forte interlocução com o poder público.
Esse perfil também ajuda a explicar por que sua candidatura extrapolou os limites da disputa corporativa da advocacia e despertou atenção nos bastidores políticos.
Choy ocupa o cargo de procurador do Município de Manaus e já exerceu funções na estrutura jurídica municipal. Durante a disputa pelo Quinto Constitucional, chegou a afirmar publicamente que, ao longo da carreira como advogado eleitoral, já havia prestado serviços jurídicos inclusive ao atual governador Roberto Cidade, além de outras lideranças políticas.
A informação dá à escolha uma característica particular: embora Choy esteja profissionalmente ligado à administração municipal de Manaus, comandada até recentemente por David Almeida, sua trajetória jurídica também inclui atuação para nomes de diferentes grupos políticos.
Uma escolha com peso institucional
A indicação de um desembargador é uma das decisões de maior alcance institucional tomadas por um governador. Diferentemente de cargos políticos, a vaga no Tribunal tem caráter permanente até a aposentadoria compulsória do magistrado.
Ao escolher Choy, Roberto Cidade optou por um nome com forte inserção na advocacia amazonense, experiência na representação de classe e trânsito consolidado no meio jurídico.
A chegada ao TJAM também representa uma mudança de posição para quem, durante anos, esteve do outro lado do balcão: defendendo advogados, atuando como procurador e participando de discussões institucionais sobre o funcionamento da Justiça.
Agora, Marco Aurélio Choy deixa a advocacia para ocupar uma cadeira no órgão máximo do Judiciário estadual — uma escolha que fecha o processo do Quinto Constitucional, mas inaugura uma nova etapa em sua trajetória jurídica.


