DESTAQUEPOLÍTICA

Omar e Maria confrontam experiência e mudança em debate

Ex-governador recorre ao histórico de obras e programas para sustentar propostas; candidata do PL defende renovação administrativa e medidas emergenciais para o Amazonas

O primeiro debate do segundo turno pelo Governo do Amazonas, realizado nesta terça-feira (13), pela TV Norte, colocou em confronto duas estratégias políticas distintas. Omar Aziz (PSD) recorreu à experiência administrativa e ao histórico de obras para fundamentar suas propostas, enquanto Professora Maria do Carmo (PL) apostou na necessidade de renovação e em medidas emergenciais para enfrentar os problemas do estado.

Ao longo do encontro, Omar vinculou compromissos de campanha a iniciativas de sua passagem pelo Executivo estadual. O candidato citou a Ponte Rio Negro, a avenida das Torres, a AM-070, a construção de escolas de tempo integral e investimentos em saúde e habitação como exemplos de sua experiência na condução de projetos públicos.

“Você me conhece, sabe que eu construí muito. Fazer obras é muito importante”, afirmou.

Segundo Omar, durante os quatro anos em que governou o Amazonas foram construídas 25 escolas de tempo integral e 30 mil moradias, além de obras como o Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz e investimentos em estradas. Também mencionou políticas de valorização dos servidores, incluindo planos de cargos e carreiras.

A referência às realizações anteriores deu o tom de sua participação. Em vez de limitar a argumentação às promessas de um novo mandato, Omar procurou estabelecer uma relação entre sua experiência administrativa e a capacidade de executar os projetos apresentados.

Maria do Carmo, por sua vez, concentrou parte de suas intervenções nas deficiências dos serviços públicos e na necessidade de mudar a forma de administrar o estado. A candidata defendeu respostas rápidas para problemas como as filas na saúde, a segurança pública e as dificuldades enfrentadas pela população do interior.

Saúde concentra compromissos

A saúde pública foi um dos principais temas do confronto e permitiu identificar diferenças nas prioridades apresentadas.

Omar anunciou a intenção de construir sete hospitais regionais, com atendimento especializado, além de um hospital exclusivo para idosos, um hospital geral e três maternidades em Manaus.

“Eu não vou fazer seis, vou fazer sete hospitais regionais com especialistas, porque não adianta você colocar um hospital para funcionar sem especialista”, afirmou, ao defender que a ampliação da rede seja acompanhada de profissionais qualificados.

O candidato também colocou a redução das filas do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) entre as prioridades e propôs contratar serviços de hospitais, clínicas e laboratórios privados para acelerar exames, consultas e cirurgias.

Maria do Carmo apresentou proposta semelhante para enfrentar a demanda reprimida, defendendo parcerias com a iniciativa privada, ampliação de horários e medidas emergenciais nos primeiros 100 dias de gestão. A candidata anunciou seis hospitais regionais e uma unidade de 180 leitos na área da antiga Cidade Universitária.

As propostas revelaram uma preocupação comum com a dificuldade de acesso à saúde, mas também levantaram questões sobre financiamento, disponibilidade de especialistas e manutenção das futuras unidades.

Segurança, emprego e desenvolvimento

Na segurança pública, Omar defendeu a retomada do Ronda no Bairro, a convocação dos aprovados nos concursos das polícias Civil e Militar e a realização de novo concurso para cinco mil profissionais.

Ex-secretário estadual de Segurança Pública, o candidato também prometeu restabelecer o funcionamento ininterrupto das delegacias, argumentando que a população precisa ter acesso ao atendimento policial durante as 24 horas do dia.

Maria do Carmo enfatizou o fortalecimento do policiamento ostensivo, a recuperação da estrutura operacional das corporações e a valorização salarial dos agentes de segurança.

Na economia, Omar destacou a preservação da competitividade da Zona Franca de Manaus durante a Reforma Tributária e defendeu a atração de novas empresas e atividades produtivas.

Para o interior, apresentou a geração de renda associada à proteção ambiental como um dos caminhos para o desenvolvimento regional.

“A floresta amazônica é brasileira a serviço da humanidade. É importante preservar, mas é importante também captar recursos para que a gente possa continuar preservando”, afirmou.

Omar também reiterou o apoio ao fim da escala de trabalho 6×1, defendendo dois dias de descanso semanal para ampliar a convivência dos trabalhadores com suas famílias.

A mudança na jornada, entretanto, depende de legislação federal, não de uma decisão direta do governador.

Na educação, o candidato defendeu a expansão das escolas de tempo integral e a valorização do magistério. Maria do Carmo destacou a necessidade de melhorar os indicadores de aprendizagem e investir na qualificação dos professores.

Experiência e articulação política

Outro momento significativo ocorreu quando Maria do Carmo questionou Omar sobre seu apoio na disputa presidencial.

O candidato reafirmou o apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ressaltou que um governador precisa ter capacidade de administrar e defender os interesses do Amazonas independentemente de quem esteja na Presidência da República.

A discussão colocou a articulação política no centro do debate. Para um estado que depende de investimentos federais em infraestrutura, saúde, logística e desenvolvimento regional, a relação institucional com Brasília tem consequências práticas.

Maria do Carmo reforçou sua identificação com Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Omar procurou apresentar a experiência política e administrativa como instrumento de negociação e obtenção de recursos.

No encerramento, o candidato do PSD retomou esse argumento.

“Se você me der a oportunidade de ser governador novamente, tenha a certeza de que vai ter uma pessoa experiente sentada naquela cadeira, independentemente de quem seja o presidente da República, porque quem senta na cadeira de governador é quem governa. E aí a experiência vale muito”, declarou.

O peso da experiência na disputa

O debate evidenciou como os candidatos pretendem construir suas credenciais para governar o Amazonas.

Omar utilizou obras, programas e decisões de sua administração anterior para dar contexto às propostas de um novo mandato. Maria do Carmo buscou apresentar a mudança administrativa como resposta ao desgaste dos serviços públicos e à necessidade de resultados mais rápidos.

O histórico de realizações pode ajudar o eleitor a avaliar a trajetória de um candidato, mas não elimina a necessidade de examinar os custos, os prazos e as condições de execução das novas promessas.

Da mesma forma, medidas emergenciais podem responder a necessidades imediatas, mas sua efetividade depende de planejamento, recursos e continuidade administrativa.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o confronto deixou uma questão essencial para os eleitores: não basta saber quais projetos os candidatos apresentam, mas de que maneira pretendem executá-los.

Entre a experiência defendida por Omar e a renovação proposta por Maria do Carmo, o debate colocou em discussão diferentes caminhos para enfrentar os desafios históricos do Amazonas.

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