Manaus terá base fixa da Força Nacional do SUS a partir do dia 20
Estrutura reforçará a resposta a emergências de saúde no Amazonas e em Roraima; Prefeitura pede apoio para enfrentar os efeitos da fumaça, da estiagem e ampliar a vacinação
A combinação de queimadas, fumaça e rios cada vez mais baixos impõe novos desafios à saúde pública em Manaus. Enquanto a poluição do ar preocupa a população, a estiagem dificulta o acesso de equipes médicas a comunidades ribeirinhas. Diante desse cenário, a Prefeitura de Manaus articulou com o Ministério da Saúde medidas para ampliar a assistência e recebeu a confirmação de que a capital terá uma base permanente da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 20 de outubro.
O anúncio ocorreu durante reunião realizada na segunda-feira (12), no Centro de Cooperação da Cidade (CCC), no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul. A estrutura funcionará na Superintendência do Ministério da Saúde no Amazonas e dará suporte a situações de emergência nos estados do Amazonas e de Roraima.
A instalação da base representa um reforço à capacidade de resposta em uma região onde as distâncias, a dependência do transporte fluvial e os eventos climáticos extremos frequentemente dificultam a chegada dos serviços de saúde à população.
Durante o encontro, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) apresentou três demandas prioritárias: ampliar a assistência a pacientes com problemas respiratórios, melhorar o acesso às comunidades isoladas pela seca e fortalecer a vacinação contra o sarampo.
Fumaça e isolamento desafiam atendimento
Embora a fumaça das queimadas tenha provocado preocupação em Manaus, o secretário municipal de Saúde, Nagib Salém, informou que a rede ainda não identificou aumento significativo nos atendimentos por problemas respiratórios em relação à média dos últimos meses.
Mesmo assim, a Prefeitura solicitou ao Ministério da Saúde autorização para retomar a nebulização em aproximadamente 76 unidades de Atenção Primária, como parte das medidas de reforço assistencial. O pedido aguarda avaliação federal.
A estiagem apresenta um obstáculo diferente. Atualmente, 14 comunidades ribeirinhas estão isoladas, obrigando profissionais de saúde a percorrer trechos a pé, carregando medicamentos, equipamentos e materiais necessários aos atendimentos.
Para reduzir essas dificuldades, a Semsa solicitou apoio para ampliar a utilização de quadriciclos, hoje disponibilizados parcialmente com o suporte da Guarda Municipal de Manaus.
Em determinadas localidades, as equipes conseguem avançar de lancha apenas até onde o nível dos rios permite. O restante do percurso precisa ser feito por terra, situação que compromete a logística e aumenta o esforço necessário para garantir a assistência.
O cenário evidencia uma particularidade da saúde na Amazônia: não basta dispor de profissionais e medicamentos. É preciso assegurar condições para que os serviços cheguem às populações mais distantes, mesmo quando os rios deixam de funcionar como principais vias de transporte.
Sarampo exige atenção à segunda dose
A vacinação também entrou na pauta diante da confirmação de casos de sarampo em municípios amazonenses próximos à fronteira com o Peru.
Segundo a Semsa, Manaus alcançou cobertura de 98% na primeira dose da vacina, mas o percentual cai para 84% na segunda. A diferença preocupa as autoridades sanitárias, já que a proteção adequada depende da conclusão do esquema vacinal.
Uma das alternativas apresentadas pela Prefeitura foi ampliar o uso de unidades móveis para levar a vacinação a pontos estratégicos da cidade e alcançar pessoas que ainda não completaram a imunização.
Presença federal permanente
O superintendente do Ministério da Saúde no Amazonas, Henrique Medeiros, confirmou que a nova estrutura da Força Nacional do SUS começará a funcionar em Manaus no dia 20.
A equipe atuará no apoio à capacidade de resposta dos serviços locais diante de emergências sanitárias e situações que exijam reforço federal.
Para o representante da Força Nacional do SUS, Ronan Benecase, a presença permanente na capital permitirá acompanhar mais de perto as necessidades dos municípios e planejar ações considerando as características da região Norte.
A articulação representa um avanço na organização da resposta a emergências, mas parte das medidas solicitadas pela Prefeitura, como o reforço dos equipamentos de transporte e a retomada da nebulização, ainda depende de encaminhamentos.
Em meio às queimadas e à estiagem, o desafio imediato continua sendo garantir que a distância e as dificuldades de acesso não deixem comunidades sem atendimento médico.


