5 de Setembro une história e escolhas sobre o futuro do Amazonas
Data chega com celebração cívica reduzida às escolas militares e a 29 dias da eleição que definirá os rumos do Estado
Há 176 anos, uma decisão política mudou o destino do território que hoje conhecemos como Amazonas. Neste sábado, 5 de setembro, a data que marca a elevação do Estado à categoria de Província encontra os amazonenses diante de outro momento de escolhas: faltam apenas 29 dias para a eleição que definirá quem governará e representará a população nos próximos anos.
A comparação entre 1850 e 2026 não está nas circunstâncias históricas, profundamente diferentes, mas no significado das decisões políticas para a vida coletiva.
Há quase dois séculos, o Amazonas buscava autonomia em relação ao Grão-Pará. Agora, em uma democracia, cabe ao próprio cidadão decidir pelo voto os caminhos que deseja para o Estado.
Neste ano, porém, a celebração do 5 de Setembro também revela uma mudança na forma como a data vem sendo lembrada em Manaus.
Festa menor
A programação cívica deste sábado está concentrada no desfile das escolas militares, previsto para começar às 19h, no Sambódromo.
Participam os oito Colégios Militares da Polícia Militar de Manaus, o Colégio Militar do Corpo de Bombeiros, a Pré-Escola Creche Infante Tiradentes e estudantes ligados a programas como o Proerd e o Formando Cidadão.
É um cenário diferente daquele registrado antes da pandemia.
Em 2018, por exemplo, mais de 10 mil alunos de escolas públicas participaram do tradicional Desfile das Escolas no Sambódromo. A celebração mobilizava unidades de ensino e comunidades escolares e fazia do 5 de Setembro uma das grandes manifestações cívicas do calendário educacional amazonense.
A pandemia interrompeu o evento por dois anos. Quando o desfile retornou, em 2022, os 4,5 mil participantes eram alunos de escolas administradas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros.
Desde então, a rede pública regular não voltou a ocupar o desfile central nos moldes anteriores. Em 2023, não houve o tradicional desfile escolar no Sambódromo, e as escolas estaduais realizaram suas próprias atividades cívicas. Em 2024 e 2025, a grande solenidade do 5 de Setembro voltou a ter como protagonistas os colégios militares.
Em 2026, o formato permanece.
A data continua sendo feriado estadual e mantém seu significado histórico, mas a comemoração pública perdeu parte da dimensão estudantil e popular que marcou outros períodos.
Autonomia política
O 5 de Setembro remete à Lei nº 582, sancionada em 1850 pelo imperador Dom Pedro II, que criou a Província do Amazonas, separando seu território do Grão-Pará.
A mudança não significava apenas redesenhar limites geográficos.
A nova província ganhou estrutura administrativa e representação política própria. A lei estabelecia um senador, um deputado na Assembleia Geral e uma Assembleia Legislativa Provincial composta por 20 integrantes.
Representação, portanto, estava no centro daquela conquista.
O Amazonas deixava de ser administrativamente subordinado ao Pará e passava a dispor de instrumentos próprios para participar das decisões políticas do Império.
Cento e setenta e seis anos depois, a forma de exercer esse poder mudou profundamente.
Hoje, a representação é decidida nas urnas.
Escolha popular
No próximo dia 4 de outubro, os amazonenses escolherão governador, deputados estaduais e federais, senadores e presidente da República.
Não se trata apenas de preencher cargos.
O resultado da eleição terá reflexos diretos sobre questões que fazem parte do cotidiano da população: saúde e educação no interior, segurança pública, emprego, infraestrutura, desenvolvimento econômico, preservação ambiental, Zona Franca de Manaus e capacidade do Amazonas de defender seus interesses diante do governo federal e do Congresso Nacional.
É justamente aí que a história do 5 de Setembro dialoga com o presente.
Se em 1850 a autonomia política foi conquistada por meio de uma decisão do Império, em 2026 parte importante dos rumos do Amazonas estará nas mãos de seus próprios cidadãos.
A conquista histórica foi ter voz.
O desafio contemporâneo é saber como utilizá-la.
Memória e voto
A redução da celebração cívica não diminui o tamanho da data.
Ao contrário, talvez ofereça uma oportunidade para recuperar seu significado para além do feriado e dos desfiles.
O 5 de Setembro fala sobre autonomia, representação e capacidade de decidir os próprios caminhos. E chega, neste ano, às vésperas de uma eleição estadual particularmente importante.
À noite, estudantes dos colégios militares atravessarão a avenida do Sambódromo para lembrar a história do Amazonas.
Daqui a 29 dias, serão os eleitores que entrarão em cena.
E, desta vez, a decisão sobre os próximos capítulos dessa história será tomada pelo voto.
Da redação


