Tempo de TV expõe peso das alianças na disputa pelo Governo do AM
TRE-AM define divisão do horário eleitoral e mostra diferença expressiva de exposição entre as chapas que disputam o governo em 2026
A disputa pelo Governo do Amazonas ganhará, a partir de 28 de agosto, um novo campo de batalha. Com o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, as alianças construídas pelos candidatos deixam de representar apenas apoio político e passam a produzir um efeito concreto sobre a campanha: mais ou menos tempo para falar diretamente com o eleitor.
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) definiu, em audiência pública realizada no último dia 17, a distribuição do tempo e a ordem de veiculação da propaganda eleitoral gratuita. O horário eleitoral do primeiro turno será transmitido até 1º de outubro, com dois blocos diários de 25 minutos, além das inserções distribuídas ao longo da programação.
Na corrida pelo governo, a diferença entre as chapas é expressiva. A coligação Força Amazonas terá 3 minutos e 33 segundos; União pelo Amazonas, 2 minutos e 28 segundos; Mudar é Urgente, 1 minuto e 49 segundos; Pra Cima Amazonas, 45 segundos; e a Federação PSOL/Rede, 25 segundos.
Mais do que uma divisão técnica, os números revelam um dos efeitos mais importantes da política de alianças numa eleição majoritária.
Peso das alianças
O tempo disponível não é definido a partir de pesquisas eleitorais, expectativa de votos ou desempenho individual dos candidatos. Ele decorre principalmente da força parlamentar dos partidos que compõem cada chapa.
Pelas regras eleitorais, 90% do tempo são distribuídos proporcionalmente à representação dos partidos e federações na Câmara dos Deputados, considerando as bancadas eleitas em 2022. Os 10% restantes são divididos igualmente entre as agremiações que atendem aos critérios legais de desempenho.
Isso significa que as negociações realizadas antes do registro das candidaturas também definiram, na prática, a capacidade de ocupação do rádio e da televisão.
No Amazonas, a Força Amazonas reúne PSD, MDB e Republicanos. A União pelo Amazonas é composta pela Federação União Progressista — formada por União Brasil e PP —, além de PSB e Podemos. Já a Mudar é Urgente reúne PL e Novo. A Pra Cima Amazonas agrega Avante, PDT, Democracia Cristã, Agir e a Federação Renovação Solidária. O PSOL e a Rede disputam por meio da federação formada pelas duas legendas.
A composição dessas alianças explica boa parte das diferenças observadas na televisão.
Exposição desigual
Entre o maior e o menor tempo destinados às chapas para o governo existe uma diferença superior a três minutos por programa.
Isoladamente, pode parecer pouco. Ao longo de várias semanas de campanha, porém, a diferença se acumula.
Quem dispõe de mais tempo pode estruturar programas com apresentação de propostas, depoimentos, imagens de campanha e construção de narrativa. Já candidaturas com poucos segundos precisam condensar a mensagem e selecionar de maneira muito mais rígida o conteúdo apresentado ao eleitor.
Isso não determina o resultado da eleição — especialmente em um ambiente em que as redes sociais ganharam importância crescente —, mas altera as condições de comunicação no rádio e na televisão.
O horário eleitoral continua tendo uma característica que o diferencia das plataformas digitais: chega simultaneamente a uma audiência ampla e não depende de o eleitor seguir previamente um candidato ou procurar determinado conteúdo.
Disputa pelo Senado
A diferença de exposição também aparece na eleição para o Senado.
A Força Amazonas ficou com 2 minutos e 51 segundos; União pelo Amazonas, com 2 minutos e 1 segundo; Mudar é Urgente, com 1 minuto e 26 segundos; Federação PSDB/Cidadania, com 22 segundos; e PSOL/Rede, com 20 segundos.
O desenho reforça a importância das composições partidárias numa eleição em que duas cadeiras do Amazonas no Senado estarão em disputa.
Nas eleições majoritárias, portanto, a montagem das chapas não interfere apenas no número de partidos presentes no palanque. Ela também influencia diretamente a quantidade de tempo disponível para apresentar candidatos e propostas ao eleitorado.
Proporcionais
A mesma lógica alcança as eleições para deputado federal e estadual.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, PL e Federação União Progressista terão, cada um, 2 minutos e 28 segundos. A Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV — terá 1 minuto e 57 segundos.
Na eleição para a Assembleia Legislativa, a Federação União Progressista terá 1 minuto e 50 segundos, seguida pelo PL, com 1 minuto e 44 segundos, e pela Federação Brasil da Esperança, com 1 minuto e 29 segundos.
Algumas legendas que disputam as eleições proporcionais ficaram fora da distribuição por não preencherem o requisito de representação no Congresso estabelecido pelas regras eleitorais.
Nova operação
A eleição de 2026 também marcará uma mudança técnica no Amazonas.
Pela primeira vez, o sinal do horário eleitoral gratuito não será gerado diretamente na sede do TRE-AM. A operação ficará sob responsabilidade da Rede Amazônica. A TV A Crítica e a TV Encontro das Águas atuarão como emissoras de contingência para garantir a continuidade da transmissão em caso de problemas técnicos.
Segundo o próprio TRE-AM, o Amazonas era o último estado a adotar o modelo em que uma emissora fica responsável pela geração do sinal do horário eleitoral.
Com a propaganda eleitoral autorizada desde 16 de agosto e o horário gratuito começando no dia 28, a campanha entra agora em uma etapa de maior exposição.
E o plano de mídia definido pela Justiça Eleitoral deixa claro que uma das primeiras consequências das alianças fechadas antes da eleição aparecerá justamente na tela e no rádio: algumas candidaturas terão minutos para construir sua mensagem; outras terão apenas segundos.


