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Shádia leva saúde da mulher ao centro da campanha de David

Candidata a vice-governadora usa experiência à frente da Semsa como credencial e defende ampliar para o Amazonas o modelo de atendimento móvel às mulheres

A saúde da mulher começa a ganhar espaço próprio na campanha de David Almeida (Avante) ao Governo do Amazonas. Ex-secretária municipal de Saúde de Manaus e candidata a vice-governadora, Dra. Shádia Fraxe passou a usar a experiência acumulada na Semsa para defender a expansão, em escala estadual, do modelo de atendimento móvel direcionado ao público feminino.

Durante encontro com apoiadores na sede do Avante, no bairro Flores, Shádia destacou as Unidades Móveis de Saúde da Mulher como exemplo de uma política que, na avaliação dela, pode ser adaptada às dificuldades geográficas do Amazonas.

A proposta acrescenta um componente importante à composição da chapa: enquanto David procura apresentar obras e entregas realizadas na Prefeitura como credencial administrativa, Shádia assume o papel de dar conteúdo técnico ao discurso na área da saúde.

Modelo ampliado

O atual serviço móvel da Prefeitura de Manaus começou a operar com três unidades em julho de 2023, atendendo inicialmente as zonas Norte, Leste e Oeste. Em abril de 2024, outras duas estruturas foram incorporadas, levando o atendimento também às zonas Sul e rural.

Hoje, são cinco unidades, uma vinculada a cada distrito de saúde da capital. Elas oferecem consultas médicas e de enfermagem, mamografia, ultrassonografia, exame preventivo do câncer do colo do útero, pré-natal, vacinação, testes rápidos, planejamento familiar e distribuição de medicamentos.

O modelo tem como uma de suas principais características a circulação por regiões consideradas de maior vulnerabilidade ou com dificuldade de acesso aos serviços fixos da rede.

É justamente esse desenho que Shádia pretende projetar para o debate estadual.

“Manaus tem uma geografia, e o Amazonas tem uma geografia muito difícil. São comunidades longe, que têm poucas pessoas, as distâncias são enormes”, afirmou.

Prevenção feminina

A candidata concentrou o discurso especialmente na prevenção dos cânceres de mama e do colo do útero.

Segundo Shádia, aproximar exames e consultas das comunidades é uma forma de reduzir barreiras que muitas mulheres enfrentam para procurar atendimento, seja pela distância, pela rotina de trabalho ou pelas responsabilidades familiares.

“Quando eu puder levar esse autocuidado até a porta da casa das pessoas, eu vou fazer”, declarou.

Dados oficiais da Prefeitura mostram que as cinco unidades móveis já estavam presentes nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural em março deste ano, priorizando justamente áreas de vulnerabilidade social e vazios assistenciais.

A expansão do serviço foi significativa entre 2023 e 2024. Em 2023, com três unidades em funcionamento, foram registrados 51.814 procedimentos. No ano seguinte, já com cinco estruturas, o volume chegou a 154.622 procedimentos, entre consultas, exames, testes rápidos e outras ações de saúde.

Ativo eleitoral

Politicamente, a escolha da pauta não é casual.

Como ex-titular da Semsa, Shádia ocupa dentro da chapa um espaço diferente do tradicional papel reservado a candidatos a vice. Ao falar de políticas que administrou diretamente, tenta construir uma identidade própria na campanha e, ao mesmo tempo, reforçar a narrativa de experiência administrativa defendida por David.

A saúde também permite à candidatura estabelecer uma ponte entre Manaus e o interior.

Se na capital a distância entre bairros e unidades de atendimento já aparece como justificativa para os serviços itinerantes, no interior do Amazonas o desafio assume dimensão muito maior, com municípios e comunidades dependentes de deslocamentos fluviais que podem durar horas ou dias.

Ao defender a expansão do modelo, Shádia coloca essa realidade no centro da proposta: levar o serviço até a população em vez de exigir que a população faça grandes deslocamentos para chegar ao atendimento.

Estado e município

A candidata também defendeu maior integração entre Prefeitura e Governo do Estado.

“Só prefeitura e governo do Estado podem fazer isso. Um município sozinho não consegue”, afirmou.

A declaração sinaliza outra linha que pode ganhar espaço na campanha: a defesa de políticas compartilhadas entre os dois níveis de governo, especialmente em áreas nas quais a rede municipal de atenção básica se conecta diretamente aos serviços estaduais de média e alta complexidade.

No Amazonas, essa articulação assume importância adicional porque Manaus concentra grande parte da estrutura especializada de saúde utilizada também por pacientes encaminhados do interior.

Defesa do SUS

Shádia aproveitou o encontro para fazer também uma defesa política do Sistema Único de Saúde.

Ao citar a Vigilância Sanitária, o Samu e o sistema nacional de transplantes, argumentou que mesmo pessoas atendidas habitualmente pela rede privada dependem de estruturas mantidas pelo SUS.

A fala ajuda a delimitar o discurso que a candidata pretende assumir na campanha: combinar defesa do sistema público com a apresentação de experiências administrativas desenvolvidas enquanto comandou a saúde municipal.

Nesse movimento, a Carreta da Mulher deixa de aparecer apenas como um serviço da Prefeitura e passa a ocupar outra função na corrida eleitoral: torna-se uma das vitrines usadas pela chapa para defender que experiências testadas em Manaus podem ganhar escala estadual.

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