MANAUSMEIO AMBIENTE

Largo vira laboratório a céu aberto com ciência da Amazônia

Inpa leva mais de 30 atrações gratuitas ao Centro de Manaus neste domingo (23), com experiências sobre biodiversidade, clima e tecnologia

Quem passar pelo Largo de São Sebastião neste domingo (23) poderá encontrar, entre o Teatro Amazonas e o movimento tradicional do Centro Histórico, um pouco da ciência produzida no coração da Amazônia. Fungos, abelhas sem ferrão, peixes elétricos, aranhas e até as gigantescas torres usadas para investigar o clima da floresta estarão entre as atrações apresentadas ao público.

Das 16h às 20h, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) realiza a segunda edição do Ciência na Praça, evento gratuito que transforma o Largo em uma espécie de laboratório a céu aberto.

Mais de 30 exposições, jogos e experiências interativas estarão disponíveis para crianças e adultos. A proposta é retirar parte do conhecimento produzido dentro dos laboratórios e reservas científicas e colocá-lo diante da população, com pesquisadores, técnicos e estudantes explicando de maneira acessível como a ciência ajuda a compreender a Amazônia.

Ciência próxima

A programação reúne temas como biodiversidade, sustentabilidade, saúde, tecnologia, inovação e mudanças climáticas.

Na área de plantas e fungos, será possível conhecer frutos nativos, descobrir como são extraídos produtos naturais e entrar no chamado “Reino dos Cogumelos”.

Outras atividades apresentam organismos que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano, mas cumprem funções importantes nos ecossistemas amazônicos.

Aranhas, insetos aquáticos e abelhas sem ferrão estarão entre os destaques. O público também poderá conhecer pesquisas relacionadas às arraias, organismos aquáticos e aos peixes elétricos encontrados na Amazônia.

A experiência permite uma aproximação que dificilmente aconteceria apenas por meio de livros ou exposições tradicionais: pesquisadores que trabalham diretamente com esses organismos estarão disponíveis para explicar descobertas e responder às perguntas dos visitantes.

Acervos científicos

Parte das coleções mantidas pelo Inpa também deixará temporariamente os espaços de pesquisa para chegar ao Largo.

O público terá contato com materiais das coleções científicas de mamíferos, aves e herpetofauna — área que reúne estudos sobre anfíbios e répteis.

Esses acervos possuem importância que ultrapassa a exposição de exemplares. Coleções científicas funcionam como registros da biodiversidade ao longo do tempo e permitem aos pesquisadores estudar distribuição de espécies, transformações ambientais e características dos ecossistemas.

Também serão apresentados trabalhos ligados ao Mestrado Profissional em Gestão de Áreas Protegidas.

Gigantes da floresta

Se parte das atrações cabe sobre uma bancada, outras precisam ser apresentadas em escala reduzida.

Três grandes projetos de pesquisa sobre a relação entre a Floresta Amazônica e o clima estarão representados no evento: ATTO, AmazonFACE e LBA.

O Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) mantém, no interior da floresta, uma torre de 325 metros de altura, além de estruturas menores, utilizadas para monitorar continuamente as interações entre floresta e atmosfera.

Os equipamentos permitem acompanhar variáveis meteorológicas, químicas e biológicas e ajudam pesquisadores a entender processos que conectam a Amazônia ao sistema climático.

Floresta do futuro

Já o AmazonFACE tenta responder a uma pergunta diretamente relacionada ao futuro da região: como a floresta poderá reagir ao aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera?

O projeto desenvolve experimentos para investigar como árvores e o ecossistema amazônico respondem a condições atmosféricas projetadas para as próximas décadas.

O Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) também estará no Ciência na Praça. Entre as atividades, serão demonstrados pluviômetros utilizados para medir a quantidade de chuva e apresentados estudos realizados na Reserva do Cuieiras, conhecida como ZF-2.

Ao colocar esses projetos em uma praça pública, o evento aproxima discussões globais sobre mudanças climáticas de quem vive justamente na região que ocupa posição central nesse debate.

Conhecimento aberto

A escolha do Largo de São Sebastião também ajuda a dar outra dimensão à iniciativa.

Em vez de esperar que a população procure os espaços científicos, o Inpa leva pesquisadores e experimentos para um dos pontos de maior circulação de moradores e turistas em Manaus.

É uma inversão simples, mas importante: a ciência sai do laboratório para encontrar as pessoas.

Em uma região que concentra uma das maiores biodiversidades do planeta e está no centro das discussões mundiais sobre clima, tornar esse conhecimento compreensível também é uma forma de aproximar a sociedade das decisões sobre conservação e futuro da floresta.

No domingo, essa aproximação poderá começar com algo tão simples quanto observar uma abelha sem ferrão, descobrir como funciona um peixe elétrico ou entender por que pesquisadores constroem torres gigantes no meio da Amazônia.

Foto: Divulgação

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