DESTAQUEECONOMIA

CAS aprova R$ 335 milhões em investimentos na Zona Franca

Conselho da Suframa aprovou 25 projetos, com previsão de gerar 859 empregos diretos, em reunião que teve ministros, anúncio para destravar PPBs e discussão sobre expansão do Polo Industrial.

A Zona Franca de Manaus recebeu nesta sexta-feira (14) uma nova carteira de investimentos que soma R$ 335,30 milhões e projeta a abertura de 859 postos de trabalho nos próximos três anos. Os números fazem parte dos 25 projetos industriais e de serviços aprovados durante a 324ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Suframa (CAS).

Mais do que uma rodada de aprovação de projetos, a reunião colocou sobre a mesa algumas das principais questões que deverão definir o próximo ciclo do Polo Industrial de Manaus (PIM): segurança jurídica, expansão física, destravamento de processos produtivos, crédito para a Região Norte, sustentabilidade e diversificação da base econômica.

A reunião foi presidida presencialmente pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e contou também com a presença do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.

A mesa de autoridades reuniu ainda o prefeito de Manaus, Renato Junior, o vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa, o senador Eduardo Braga e o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro.

Investimento e emprego

Os setores Eletroeletrônico e Mecânico concentram parte expressiva dos novos projetos e, juntos, representam R$ 220,73 milhões em investimentos e potencial para 458 novos empregos.

Dos projetos levados à reunião, seis propostas de implantação submetidas à deliberação dos conselheiros representam R$ 184,97 milhões e estimativa de 431 empregos. Outros 19 projetos industriais, já aprovados pela Suframa por delegação de competência, somam R$ 150,32 milhões e projetam outros 428 postos de trabalho.

Entre os empreendimentos estão iniciativas de diferentes segmentos da indústria e de serviços, ampliando uma base produtiva que já sustenta cerca de 131 mil empregos diretos no Polo Industrial de Manaus.

A dimensão econômica dos projetos vai além do investimento inicial. A pauta analisada pelo CAS tem faturamento estimado de R$ 2,39 bilhões, indicando o efeito potencial dos novos empreendimentos sobre produção, renda, arrecadação e fornecedores ligados à cadeia industrial.

Governo promete destravar PPBs

Um dos anúncios de maior impacto imediato para o setor produtivo veio do ministro Márcio Elias Rosa.

Diante das reclamações sobre processos relacionados aos Processos Produtivos Básicos (PPBs), o ministro anunciou uma força-tarefa para reduzir o estoque de demandas pendentes nas próximas semanas.

O PPB estabelece as etapas mínimas de industrialização necessárias para que determinados produtos tenham acesso aos incentivos vinculados ao modelo. Por isso, atrasos na análise podem afetar decisões de investimento e introdução de novos produtos nas fábricas.

A sinalização dada pelo ministro durante o CAS foi de tentativa de reduzir esses entraves e acelerar decisões.

O governo também confirmou que estão avançadas as articulações para implantação do chamado Polo Industrial nº 4, na Zona Leste de Manaus. A proposta busca abrir uma nova frente de expansão física do PIM, integrada ao sistema viário da região.

Crédito para o Norte

Outro ponto discutido foi a regionalização dos instrumentos de crédito associados à nova política industrial brasileira.

A intenção apresentada durante a reunião é ampliar a participação da Região Norte nos recursos destinados à política industrial, especialmente em áreas como economia verde, complexo industrial da saúde e bioeconomia.

A discussão é estratégica para o Amazonas porque toca em uma dificuldade histórica: transformar vantagens comparativas da região — biodiversidade, conhecimento científico e recursos naturais — em empreendimentos de escala industrial capazes de gerar emprego, tecnologia e renda dentro da própria Amazônia.

ZFM depois da Reforma Tributária

O CAS ocorreu também em um momento diferente para a Zona Franca de Manaus.

Depois de anos em que a Reforma Tributária foi tratada como uma das maiores fontes de incerteza para o modelo, a discussão começa a migrar da preservação das vantagens competitivas para a capacidade de transformar a segurança jurídica conquistada em novos investimentos.

O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, relacionou o atual desempenho do modelo à segurança jurídica e aos indicadores recentes de faturamento e emprego.

Já o senador Eduardo Braga afirmou que os novos investimentos começam a refletir justamente esse ambiente de maior previsibilidade para as empresas.

Em 2026, considerando a reunião desta sexta-feira, 148 projetos já foram aprovados, segundo informações apresentadas durante o encontro.

Sustentabilidade como ativo econômico

A presença do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, acrescentou outro componente à discussão sobre o futuro da Zona Franca.

Capobianco defendeu que sustentabilidade e crescimento econômico não sejam tratados como agendas opostas. Ele citou dados segundo os quais o PIB amazonense cresceu 4,4%, enquanto o desmatamento no Estado recuou quase 47% no último ano.

Para o ministro, os dois movimentos mostram a possibilidade de combinar desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

A Suframa também trabalha na construção de indicadores ambientais específicos para mensurar os efeitos do modelo sobre a preservação da floresta.

Quase seis décadas depois da criação da Zona Franca, a discussão econômica em torno do modelo começa, portanto, a ganhar novos componentes.

O desafio já não é somente manter fábricas produzindo em Manaus. É ampliar investimentos, incorporar tecnologia, reduzir burocracia, abrir espaço para novas indústrias e conectar a força do Polo Industrial às oportunidades da bioeconomia e da transição para uma economia de baixo carbono.

Os R$ 335,30 milhões aprovados pelo CAS são o número imediato dessa agenda. Os 859 empregos projetados mostram sua dimensão social.

A questão que permanece é quanto desse novo ambiente de segurança jurídica e política industrial conseguirá se converter, nos próximos anos, em um novo ciclo de expansão da Zona Franca de Manaus.

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