DESTAQUEMEIO AMBIENTE

Povos indígenas lançam planos para proteger territórios ameaçados no Amazonas

Documentos elaborados por comunidades Nadëb e Kanamary definem estratégias de conservação, fortalecimento da governança e enfrentamento às pressões sobre terras indígenas

MANAUS – Os povos indígenas Nadëb e Kanamary lançaram, na tarde desta terça-feira (7), no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, em Manaus, os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), documentos que estabelecem estratégias para fortalecer a proteção de seus territórios, ampliar a governança indígena e enfrentar ameaças crescentes sobre as terras indígenas no Amazonas.

Os planos foram elaborados para orientar as ações nas Terras Indígenas Paraná do Boá-Boá, no município de Japurá, e Uneiuxi, em Santa Isabel do Rio Negro. O lançamento reuniu lideranças indígenas, representantes de órgãos públicos e organizações da sociedade civil, em um encontro voltado à construção de parcerias para transformar as propostas em ações efetivas.

Mais do que documentos técnicos, os PGTAs representam uma estratégia de planejamento territorial construída com base nos conhecimentos tradicionais e nas prioridades definidas pelos próprios povos indígenas.

Territórios sob pressão

A elaboração dos planos ocorre em um momento de aumento das pressões sobre os territórios indígenas da Amazônia.

Lideranças Nadëb e Kanamary alertam que regiões próximas às duas terras indígenas enfrentam desafios relacionados ao avanço do garimpo ilegal, da pesca predatória, da exploração irregular de recursos naturais, do narcotráfico e da pirataria fluvial, fatores que comprometem a segurança das comunidades e ameaçam a conservação da floresta.

Durante o lançamento, representantes indígenas defenderam que a implementação dos planos depende do fortalecimento da atuação dos órgãos públicos e da ampliação das parcerias institucionais para garantir proteção efetiva aos territórios.

Planejamento construído pelas comunidades

Os Planos de Gestão Territorial e Ambiental reúnem diretrizes sobre conservação ambiental, uso sustentável dos recursos naturais, proteção cultural, segurança alimentar, governança comunitária e fortalecimento da autonomia indígena.

A construção dos documentos ocorreu de forma participativa, envolvendo lideranças, anciãos, mulheres e jovens das comunidades, em um processo que valoriza tanto os conhecimentos tradicionais quanto informações técnicas necessárias ao planejamento territorial.

Pela primeira vez, representantes das 12 aldeias Nadëb participaram conjuntamente da apresentação pública do documento em Manaus, marco considerado histórico pelas lideranças por simbolizar o fortalecimento da organização política do povo.

Conservação e enfrentamento às mudanças climáticas

Além de orientar a gestão dos territórios, os PGTAs também são considerados instrumentos estratégicos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Ao definir regras para proteção das florestas, dos rios e da biodiversidade, os planos contribuem para conservar áreas que exercem papel fundamental na regulação do clima e na manutenção dos serviços ambientais da Amazônia.

A iniciativa acompanha uma tendência crescente de valorização do protagonismo indígena nas políticas de conservação, reconhecendo que os povos tradicionais desempenham papel essencial na proteção dos ecossistemas amazônicos.

Alianças para transformar planos em ações

Um dos principais objetivos do encontro foi ampliar o diálogo entre as comunidades indígenas, órgãos governamentais e instituições parceiras para garantir que as propostas previstas nos planos sejam efetivamente implementadas.

A elaboração dos documentos contou com apoio técnico da Amazon Conservation Team Brasil (ACT-Brasil), Instituto Socioambiental (ISA), Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), além da participação de organizações indígenas regionais.

Para as lideranças, o lançamento dos PGTAs representa o início de uma nova etapa na defesa dos territórios, baseada no fortalecimento da governança indígena e na construção de políticas públicas capazes de assegurar proteção permanente às terras e aos modos de vida tradicionais.

Foto: Nian Pissolati/Acervo ACT-Brasil

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