Reeleição de Lula estabelece novo recorde na democracia
Presidente conquista a maior votação absoluta da história eleitoral brasileira, supera sua própria marca de 2022 e chega ao quarto mandato.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conquistou apenas mais um mandato presidencial nas eleições de domingo (25). Ao receber 64.256.232 votos, o presidente reeleito estabeleceu um novo recorde na história política brasileira, tornando-se o candidato à Presidência mais votado em números absolutos desde a redemocratização.
O resultado supera uma marca que já pertencia ao próprio Lula. Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, o petista havia alcançado 60.345.999 votos. Quatro anos depois, ampliou esse total em 3.910.233 votos, um crescimento de aproximadamente 6,5%.
A votação de 2026 garantiu a Lula 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 59.826.041 votos. A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos.
Aos 80 anos, Lula também se tornou o primeiro brasileiro eleito quatro vezes para a Presidência da República pelo voto direto, um marco que atravessa mais de duas décadas de disputas eleitorais.

Uma trajetória marcada por recordes
Desde o retorno das eleições presidenciais diretas, em 1989, o Brasil passou por transformações profundas em seu eleitorado, na participação política e na forma como as campanhas se relacionam com a sociedade.
Lula participou de diferentes momentos dessa história. Sua primeira vitória, em 2002, ocorreu com 52,7 milhões de votos. Quatro anos depois, na reeleição de 2006, ultrapassou 58,2 milhões.
Em 2022, voltou ao Palácio do Planalto com mais de 60,3 milhões de votos, superando a marca anterior de todos os presidentes eleitos no país.
Agora, em 2026, alcançou 64,2 milhões e ampliou novamente o recorde.
A evolução dos números mostra a dimensão de sua presença na história eleitoral brasileira, mas também acompanha o crescimento da população habilitada a votar.
Em 1989, quando Fernando Collor venceu a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, o Brasil tinha pouco mais de 82 milhões de eleitores.
Neste ano, esse contingente ultrapassou 158 milhões, praticamente o dobro do registrado naquele período.
Por isso, comparar apenas a quantidade de votos recebidos em eleições realizadas em décadas diferentes não é suficiente para avaliar o tamanho proporcional de cada vitória.
Maior votação não significa maior percentual
Embora tenha estabelecido o recorde absoluto de votos, Lula não alcançou em 2026 sua maior vantagem proporcional nas urnas.
Essa marca continua pertencendo à eleição de 2002, quando derrotou José Serra (PSDB) com 61,27% dos votos válidos.
Na reeleição de 2006, contra Geraldo Alckmin (PSDB), obteve 60,83%.
Em 2026, os 51,79% conquistados foram suficientes para garantir a vitória, mas ficaram abaixo dos percentuais registrados em seus dois primeiros mandatos.
A comparação ajuda a compreender uma característica da eleição deste ano: a disputa foi competitiva e terminou com uma diferença relativamente pequena em pontos percentuais, embora envolvesse milhões de votos.
Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos, demonstrando a dimensão do eleitorado que apoiou a candidatura de oposição.
O resultado deixa para o próximo mandato o desafio de administrar divergências políticas expressivas e construir condições de governabilidade diante de uma sociedade dividida eleitoralmente.
A primeira virada presidencial entre os dois turnos
Outro aspecto histórico da eleição foi a recuperação de Lula depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro.
Na votação de 4 de outubro, o candidato do PL havia conquistado 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.
Três semanas depois, o presidente reeleito alcançou 51,79%, revertendo a ordem da disputa.
Foi a primeira vez, desde a redemocratização, que um candidato terminou a primeira rodada da eleição presidencial em segundo lugar e conseguiu vencer no segundo turno.
A recuperação ocorreu em uma campanha marcada por intensa mobilização política, manifestações populares, disputas nas redes sociais e ampliação das estratégias de comunicação com os eleitores.
O resultado confirma que a segunda etapa da eleição teve dinâmica própria e que a vantagem do primeiro turno não se manteve até a votação decisiva.
Amazonas acompanha vitória nacional
No Amazonas, Lula também conquistou a maioria dos votos válidos, alcançando 1.145.783 votos, equivalentes a 54,02% do total estadual.
Flávio Bolsonaro recebeu 975.245 votos, ou 45,98%.
O presidente venceu em 57 dos 62 municípios amazonenses, enquanto o adversário manteve a maioria em Manaus e em outras quatro cidades.
A distribuição dos resultados revelou diferenças entre o comportamento do eleitorado da capital e o de diferentes regiões do interior.
Com a eleição de Omar Aziz (PSD) para o Governo do Amazonas, o estado inicia uma nova etapa de relacionamento institucional com Brasília, especialmente em áreas como infraestrutura, saúde, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
A defesa da Zona Franca de Manaus e a criação de oportunidades para a população amazônica também deverão permanecer entre os temas centrais dessa relação.
Um quarto mandato e novas responsabilidades
O próximo mandato presidencial começará em 5 de janeiro de 2027, conforme a mudança constitucional que alterou a data da posse do presidente da República.
Lula assumirá novamente o Palácio do Planalto com uma marca eleitoral inédita e compromissos relacionados à educação, à saúde pública, à segurança, à economia digital e à preservação ambiental.
No discurso após a reeleição, anunciou a intenção de ampliar a participação popular nas decisões e modificar a comunicação do governo com a sociedade.
Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil


