Fumaça volta a fechar escolas e universidades em Manaus
Crise provocada pelas queimadas interrompe atividades presenciais nesta segunda-feira (19) e amplia os impactos da poluição sobre a rotina da população
A fumaça que encobre Manaus deixou de ser apenas um problema ambiental para se transformar em uma emergência que interfere diretamente no funcionamento da cidade. Nesta segunda-feira (19), escolas públicas e universidades voltaram a suspender atividades presenciais diante da concentração de poluentes no ar, resultado dos incêndios florestais que atingem o Amazonas.
A decisão alcançou as redes municipal e estadual de ensino e instituições de educação superior. Além de comprometer o calendário escolar, a situação evidencia a dimensão de uma crise que ultrapassa os locais onde o fogo está concentrado e atinge milhares de pessoas na capital.
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), confirmou a manutenção da suspensão das aulas presenciais nesta segunda-feira. A medida foi adotada para reduzir a exposição de estudantes e profissionais à poluição atmosférica.
Na rede estadual, as atividades presenciais também foram interrompidas. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) suspendeu as aulas presenciais até sexta-feira (23), enquanto a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) anunciou a interrupção das atividades presenciais nesta segunda-feira e na manhã de terça-feira (20), em unidades de Manaus e Itacoatiara.
As instituições orientam suas comunidades acadêmicas a acompanhar os comunicados oficiais sobre possíveis alterações no funcionamento.
Poluição atinge níveis críticos
A gravidade da situação pode ser medida pela concentração de partículas finas em suspensão na atmosfera, conhecidas como MP2,5. Por seu tamanho reduzido, esses poluentes podem penetrar profundamente no sistema respiratório e provocar ou agravar problemas de saúde.
No domingo (18), às 6h, a média registrada por 14 sensores da plataforma PurpleAir em Manaus chegou a 150,5 microgramas por metro cúbico, conforme levantamento divulgado pela Defesa Civil municipal.
O resultado foi classificado como péssimo e motivou a continuidade das restrições preventivas.
A fumaça é transportada por correntes de ar a partir de áreas atingidas pelas queimadas, especialmente no interior do Amazonas. Isso significa que mesmo bairros distantes dos focos de incêndio podem registrar condições atmosféricas prejudiciais.
A exposição prolongada representa riscos principalmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Escolas fechadas, rotina comprometida
A suspensão das aulas protege estudantes e trabalhadores da educação, mas também produz consequências para as famílias.
Sem atividades presenciais, pais e responsáveis precisam reorganizar horários, deslocamentos e cuidados com crianças e adolescentes. Professores e instituições de ensino enfrentam o desafio de preservar a continuidade da aprendizagem em meio a uma situação que não apresenta solução imediata.
A Semed informou que os professores devem seguir as orientações pedagógicas já encaminhadas pela rede municipal para reduzir os prejuízos educacionais.
O fechamento das escolas é uma das manifestações mais visíveis da emergência. A fumaça também afeta atividades esportivas, serviços realizados ao ar livre e trabalhadores que não podem simplesmente interromper suas jornadas.
Incêndios exigem resposta integrada
A piora da qualidade do ar levou o governo federal a reforçar as operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, com apoio militar, aeronaves e investigações sobre possíveis ações criminosas.
A mobilização ocorre em um cenário de estiagem e avanço dos focos de calor, que agravam a exposição da população aos poluentes.
Mas a crise evidencia um problema que não se resolve apenas com a suspensão de aulas ou recomendações individuais.
O controle dos incêndios, a fiscalização ambiental, o acompanhamento da qualidade do ar e a preparação dos serviços de saúde precisam funcionar de maneira articulada.
Enquanto a fumaça permanecer sobre Manaus, a população continuará convivendo com restrições e incertezas. A retomada segura das atividades dependerá da evolução das condições atmosféricas e das decisões das autoridades competentes.


