DESTAQUEMEIO AMBIENTE

Chuvas arrastam lixo e provocam obstrução de igarapé em Flores

Prefeitura reforça limpeza no conjunto Senador João Bosco, onde resíduos e galhos ficam presos à ponte e dificultam a passagem da água

Em meio à forte estiagem, bastaram poucos dias de chuva para que o lixo descartado irregularmente em outros pontos de Manaus fosse arrastado até o igarapé que corta o conjunto Senador João Bosco, no bairro Flores, zona Centro-Sul. Presos junto à ponte baixa sobre o curso d’água, resíduos e galhos formaram uma barreira que dificulta o escoamento e provoca o represamento.

Nesta sexta-feira (16), a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), iniciou mais uma ação para desobstruir o trecho. O trabalho integra a manutenção periódica do local, onde o assoreamento também reduz o espaço disponível para a passagem da água.

Segundo o coordenador de limpeza dos igarapés e da orla de Manaus, Marlon Chagas, as chuvas desta semana transportaram materiais acumulados em outros pontos da bacia até o residencial. Quando o nível da água sobe, os galhos se prendem à ponte e passam a reter o lixo levado pela correnteza.

O resultado é um acúmulo que exige a intervenção das equipes para liberar o fluxo e reduzir o risco de alagamentos nas áreas próximas. A situação evidencia como o descarte irregular continua a causar transtornos mesmo durante a estiagem: as chuvas carregam o material abandonado e concentram o problema nos trechos com obstáculos à passagem da água.

Um problema que chega pela correnteza

Para os moradores, parte do lixo que se acumula no conjunto tem origem fora do residencial. Ana Maria de Paula Silva resume a indignação de quem convive com os efeitos desse descarte.

“O mais revoltante é que esse lixo não é gerado aqui. Vem de outros bairros, arrastado pela chuva”, relata.

A limpeza do João Bosco é recorrente. Em junho deste ano, a Semulsp realizou uma grande operação para remover resíduos e sedimentos do igarapé, inclusive nas proximidades da ponte. Também foram atendidos pontos de descarte irregular, além de serviços de capinação, roçagem e poda de árvores no conjunto e no entorno.

A chegada de novos materiais após as chuvas compromete os resultados dessas intervenções e mantém a necessidade de acompanhamento. Para o secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis, os impactos recaem sobre as famílias próximas aos igarapés e sobre os trabalhadores responsáveis pela retirada do lixo.

“Quem mora perto de um igarapé não pode ficar recebendo o lixo que outras pessoas descartam pelo caminho. A Prefeitura faz a sua parte, mas esse esforço precisa ser acompanhado de responsabilidade. Por trás de cada trecho limpo, há trabalhadores entrando na água para retirar o que nunca deveria ter sido jogado ali”, afirma.

Proteção ao rio Negro

Além da manutenção dos leitos e das margens, a Prefeitura utiliza ecobarreiras em pontos estratégicos dos igarapés de Manaus. As estruturas retêm resíduos transportados pela correnteza e facilitam o recolhimento antes que avancem até o rio Negro.

Esses equipamentos também dependem de limpeza periódica, especialmente após as chuvas, quando aumenta a quantidade de material carregado para os cursos d’água.

A orientação da Semulsp é acondicionar os resíduos e disponibilizá-los para a coleta. O lixo abandonado nas ruas, nos canais de drenagem e nas margens pode percorrer diferentes bairros antes de ficar represado, ampliando os transtornos para outras comunidades.

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