Mulheres da floresta apresentam negócios em evento internacional
Empreendedoras levaram biojoias, biocosméticos e turismo sustentável a encontro sobre inovação em Manaus
Biojoias produzidas com fibras amazônicas, biocosméticos inspirados na floresta e experiências de turismo sustentável desenvolvidas dentro das comunidades ganharam espaço nos debates da 7ª Conferência Internacional sobre Processos Inovativos na Amazônia, realizada nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Manaus.
As iniciativas foram apresentadas por mulheres de comunidades atendidas pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que participaram do painel “Pitchs: Negócios da Floresta”. Sueula Andrade, Izolena Garrido e Nilde Silva mostraram como os conhecimentos tradicionais, os recursos naturais e o modo de vida nos territórios podem se transformar em atividades econômicas ligadas à bioeconomia e à geração de renda.
Da comunidade Tumbira, Izolena Garrido levou à conferência seu trabalho com biojoias produzidas com fibra de curauá. Para ela, eventos como esse permitem que a produção de quem vive na floresta seja apresentada para além dos próprios territórios.
“Essa conferência nos oportunizou a trazer um pouco do que nós somos dentro da floresta”, afirmou.
Izolena também destacou a importância de ampliar a visibilidade dos conhecimentos de populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas e das possibilidades de gerar renda a partir dos recursos da floresta de forma sustentável.
Turismo e biocosméticos
Nilde Silva apresentou uma experiência de turismo sustentável desenvolvida em sua comunidade. O empreendimento reúne atividades ligadas à visitação e à valorização dos atrativos naturais e culturais do território.
Durante a conferência, ela também falou sobre a importância da formação e do apoio técnico para ampliar as oportunidades de divulgação e fortalecimento dos negócios comunitários.

Já Sueula Andrade apresentou o “Cheiro da Floresta”, iniciativa voltada à produção de biocosméticos, como perfumes e outros produtos naturais.
O negócio também mantém relação com o turismo de base comunitária e utiliza a floresta não apenas como fonte de matéria-prima, mas como parte da identidade dos produtos.
“Eu estou muito grata de ter vindo participar da conferência, de ter mostrado meu trabalho, de vir mostrar um pouco do que é a nossa floresta”, afirmou.
Educação e desenvolvimento
A participação da FAS na conferência também incluiu um painel voltado às experiências dos Núcleos de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (NIEDS).
Os espaços funcionam dentro dos territórios e desenvolvem atividades que integram educação, conectividade, saúde, inovação e geração de renda.
A proposta é aproximar formação e oportunidades econômicas das comunidades, levando em consideração os conhecimentos locais e as características de cada território.
Para o coordenador de projetos da FAS, Rafael Sales, o papel dos núcleos vai além da estrutura física.
“Mais do que falar sobre estruturas e espaços físicos, foi uma oportunidade de mostrar como esses espaços ganham sentido e vida a partir das pessoas, das comunidades e das atividades desenvolvidas no território”, afirmou.
Fabiana Cunha também destacou a importância de colocar a educação no centro das discussões sobre inovação na Amazônia.
“Foi uma oportunidade de compartilhar as experiências da FAS e discutir os processos de inovação a partir do olhar da educação e dos núcleos”, disse.
A Conferência AMOCI reuniu pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições nacionais e internacionais para discutir ciência, bioeconomia, propriedade intelectual, inovação e transferência de tecnologia.
A participação das comunidades acrescentou ao debate uma perspectiva prática: como inovação, conhecimento tradicional e economia da floresta podem se conectar para criar oportunidades sem romper a relação das populações amazônicas com seus territórios.


