Amazonas renova bancada e mulheres voltam ao Congresso
Joana Darc quebra ciclo de dois mandatos sem representação feminina; Salazar lidera votação, cinco deputados são reeleitos e Alfredo Nascimento retorna à Câmara
As urnas redesenharam parte da representação do Amazonas em Brasília e encerraram um período de oito anos sem mulheres eleitas pelo estado para o Congresso Nacional. A partir de fevereiro de 2027, Joana Darc (União Brasil) ocupará uma das oito cadeiras amazonenses na Câmara dos Deputados, em uma bancada que também terá três mudanças de nomes e a manutenção de cinco dos atuais parlamentares.
Joana recebeu 85.461 votos e será a única mulher entre os oito deputados federais eleitos pelo Amazonas neste domingo (4). A última amazonense eleita para a Câmara havia sido Conceição Sampaio, em 2014, para o mandato iniciado em 2015. No Senado, Vanessa Grazziotin também deixou a Casa ao término de seu mandato, em janeiro de 2019. Desde então, o estado atravessou duas legislaturas sem uma mulher eleita para sua representação no Congresso.
A eleição de Joana, que atualmente exerce mandato de deputada estadual, portanto, vai além da renovação de uma cadeira. Ela recoloca a representação feminina na delegação amazonense em Brasília depois de um período em que todas as oito vagas da Câmara e as três cadeiras do Senado ocupadas pelo estado estiveram nas mãos de homens.
Salazar lidera votação
No topo da disputa para deputado federal ficou Sargento Salazar (PL). Vereador de Manaus, ele recebeu 212.948 votos, equivalentes a 10,04% dos votos válidos, e estreia na Câmara como o candidato mais votado do Amazonas para o cargo.
A diferença para o segundo colocado foi expressiva. Sidney Leite (PSD), reeleito, recebeu 138.498 votos. Na sequência aparecem Adail Filho (MDB), com 137.148; Fausto Jr. (União Brasil), com 122.197; e Amom Mandel (Republicanos), com 119.480 votos.
Também renovou o mandato Saullo Vianna (MDB), com 91.726 votos. Joana Darc aparece em seguida, com 85.461, e Alfredo Nascimento (PL) completa a nova bancada, com 59.271 votos.
Dos oito eleitos, cinco permanecem na Câmara: Sidney Leite, Adail Filho, Fausto Jr., Amom Mandel e Saullo Vianna. As três cadeiras que mudam de mãos serão ocupadas por Salazar, Joana Darc e Alfredo Nascimento, o que representa renovação de 37,5% da bancada.
Alfredo retorna a Brasília
Embora esteja entre os três nomes que alteram a atual composição, Alfredo Nascimento não é novidade no Congresso. Ex-prefeito de Manaus, ex-senador e ex-ministro dos Transportes, ele já exerceu mandato de deputado federal pelo Amazonas entre 2015 e 2019. Agora, retorna à Câmara pelo PL.
O partido conseguiu duas das oito cadeiras amazonenses: Salazar, com a maior votação da disputa, e Alfredo, que terminou apenas na 12ª posição na votação individual, mas foi eleito pelo desempenho do partido dentro das regras do sistema proporcional.
A nova bancada ficou distribuída entre cinco partidos. PL, MDB e União Brasil elegeram dois deputados cada. PSD e Republicanos ficaram com uma cadeira cada.
Voto não garante vaga
O resultado também produziu uma situação que ajuda a explicar ao eleitor como funciona a escolha dos deputados federais no Brasil.
Átila Lins (PSD) recebeu 118.182 votos e terminou na sexta posição entre todos os candidatos. Mesmo assim, ficou fora da nova composição da Câmara. Silas Câmara (Republicanos), com 93.592 votos, também não conseguiu renovar o mandato.
Os dois receberam individualmente mais votos que alguns candidatos eleitos. Átila, por exemplo, teve praticamente o dobro dos 59.271 votos obtidos por Alfredo Nascimento.
Isso ocorre porque deputados federais não são escolhidos exclusivamente pela ordem individual de votação. A eleição segue o sistema proporcional: os votos dados aos candidatos e às legendas ajudam a determinar quantas cadeiras cada partido ou federação conquista e, a partir daí, são definidos os nomes que ocuparão essas vagas de acordo com as regras eleitorais.
Assim, o desempenho individual precisa ser observado em conjunto com a votação obtida pelo partido ou federação. No resultado amazonense, PSD e Republicanos conquistaram uma cadeira cada, ocupadas respectivamente por Sidney Leite e Amom Mandel. Já o PL obteve duas vagas, permitindo a eleição de Salazar e Alfredo.
Nova composição
A bancada do Amazonas na Câmara dos Deputados para o período iniciado em fevereiro de 2027 será formada por Sargento Salazar (PL), Sidney Leite (PSD), Adail Filho (MDB), Fausto Jr. (União Brasil), Amom Mandel (Republicanos), Saullo Vianna (MDB), Joana Darc (União Brasil) e Alfredo Nascimento (PL).
No Senado, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) foram reeleitos neste domingo para mandatos de oito anos. A terceira cadeira amazonense, atualmente ocupada por Omar Aziz (PSD), não estava em disputa nesta eleição.
Entre permanências, retornos e novos nomes, a mudança mais visível na fotografia da representação amazonense estará justamente onde ela esteve ausente durante duas legislaturas: pela primeira vez desde 2019, uma mulher voltará a ocupar uma cadeira do Amazonas no Congresso Nacional.


