AMAZONASELEIÇÕES 2026

Ismael Munduruku amplia espaço no debate eleitoral na reta final

Candidato indígena ao Senado pelo Amazonas, número 181, ganha exposição em debates e leva à disputa pautas sobre saúde, BR-319, Zona Franca, interior e autonomia dos povos originários

A poucos dias da votação de domingo (4), Ismael Munduruku (Rede) chega à reta final das Eleições 2026 ocupando um espaço maior no debate público do que aquele com que iniciou a campanha. Liderança indígena do Parque das Tribos, em Manaus, o candidato ao Senado pelo Amazonas, número 181, tem aproveitado debates, entrevistas e sabatinas para apresentar uma candidatura que parte da representação dos povos originários, mas procura dialogar também com questões centrais da agenda econômica e social do Estado.

Ismael Franklin Gonçalves, seu nome de registro, tem 44 anos, nasceu em Manaus e possui ensino superior completo. Segundo a Justiça Eleitoral, sua candidatura ao Senado pela Rede Sustentabilidade está deferida. Ele integra a Federação PSOL-Rede e tem como suplentes Daila Prestes e André Monteiro. Justiça Eleitoral

A campanha ganhou nova exposição ao longo de setembro. Ismael esteve entre os seis candidatos que participaram, no dia 17, do primeiro debate televisionado ao Senado promovido pela TV Norte Amazonas. Saúde, educação, infraestrutura, BR-319, Zona Franca de Manaus, segurança e desenvolvimento econômico estiveram entre os temas discutidos. Band Amazonas

Oito dias depois, em 25 de setembro, voltou ao horário nobre no debate da Rede Amazônica, transmitido também pelo g1 e Globoplay. O encontro reuniu seis concorrentes às duas vagas de senador que o Amazonas terá direito de preencher neste ano. Rede Globo

Essa sequência é importante para uma candidatura que começou a disputa com menor exposição acumulada que adversários que já exerceram cargos majoritários ou possuem mandatos no Congresso.

Mas há uma diferença importante: ganhar visibilidade não significa, automaticamente, ganhar votos.

Na pesquisa Paraná Pesquisas realizada entre 2 e 4 de setembro, portanto antes dos principais debates, Ismael apareceu com 2,7% das menções no cenário estimulado e 0,4% na pesquisa espontânea. Já levantamento do Instituto Pontual divulgado nesta quinta-feira (1º) registrou 2,1% para ele. Como se tratam de institutos e metodologias diferentes, os números não permitem concluir que houve crescimento ou queda entre uma pesquisa e outra. Exame

O que pode ser medido, até aqui, é a ampliação dos espaços nos quais o eleitor passou a vê-lo e ouvi-lo.

Candidatura indígena não limitada à pauta indígena

A representação dos povos originários permanece como elemento central da campanha de Ismael.

Cacique-geral do Parque das Tribos, ele tem defendido que indígenas ocupem diretamente os espaços de decisão política, em vez de dependerem de representantes externos para falar em seu nome. No debate da Rede Amazônica, resumiu essa posição ao declarar que “ninguém fala por nós”. O Convergente

A própria candidatura nasceu dentro desse ambiente. A convenção da Federação PSOL-Rede que confirmou Ismael para o Senado foi realizada, em agosto, na Maloca do Parque das Tribos, onde também foi oficializada a candidatura de Isael Munduruku ao Governo do Amazonas. Diário da Capital Amazonas

Mas o discurso de Ismael vem procurando ultrapassar essa fronteira.

À CNN Brasil, o candidato apresentou entre suas pautas a ampliação do acesso a escolas e hospitais no interior, especialmente para reduzir a necessidade de moradores viajarem a Manaus em busca de serviços essenciais. Também relacionou sua agenda à preservação da floresta e ao desenvolvimento econômico de indígenas e ribeirinhos. CNN Brasil

Na saúde, adotou tom duro durante o debate da TV Norte ao criticar o atendimento público no Estado. A manifestação colocou o acesso aos serviços, especialmente para famílias mais vulneráveis, entre os temas que passaram a aparecer com maior frequência em suas intervenções públicas. O Poder

BR-319 coloca Ismael diante de debate interno

Outro ponto que chama atenção é a posição sobre a BR-319.

Embora pertença à Rede Sustentabilidade, partido historicamente associado à pauta ambiental, Ismael declarou apoio à pavimentação integral da rodovia entre Manaus e Porto Velho.

Em entrevista à Band Amazonas, argumentou que a estrada já existe e que sua precariedade gera custos permanentes de manutenção. A posição evidencia uma tentativa de conciliar sua defesa dos povos indígenas e da floresta com uma agenda de infraestrutura reivindicada por diferentes setores da sociedade amazonense. Band Amazonas

A BR-319 envolve, porém, uma discussão complexa: além do interesse logístico e econômico, o processo de pavimentação está submetido a exigências ambientais e preocupações relacionadas ao desmatamento e à ocupação da área de influência da rodovia.

Zona Franca e indígenas dentro da economia

Ismael também defende a manutenção da Zona Franca de Manaus, mas introduz uma questão particular nesse debate: a pequena participação dos indígenas no mercado de trabalho gerado pelo Polo Industrial.

Na mesma sabatina da Band, afirmou que pretende incentivar a qualificação profissional de jovens indígenas para ampliar o acesso deles às oportunidades existentes na economia formal. Band Amazonas

Paralelamente, aponta o turismo de base comunitária como uma alternativa econômica para aldeias e comunidades tradicionais.

A proposta é utilizar cultura, conhecimento tradicional e experiências comunitárias como fontes de renda, mantendo parte maior dos recursos gerados pela atividade turística dentro das próprias comunidades. Band Amazonas

Nesse ponto, a candidatura procura construir uma ponte entre identidade indígena e desenvolvimento econômico — uma combinação que Ismael vem repetindo desde o período de pré-campanha.

De 569 votos à disputa estadual

A eleição de 2026 é apenas a segunda experiência eleitoral de Ismael.

Em 2022, ainda pelo PDT, candidatou-se a deputado federal e recebeu 569 votos, sem ser eleito. Quatro anos depois, trocou uma disputa proporcional por uma eleição majoritária que exige votos em todo o Amazonas. Radar do Voto

A diferença de escala ajuda a dimensionar o desafio atual.

Na reta final, mais do que disputar espaço com políticos já conhecidos do eleitorado amazonense, Ismael tenta fazer com que uma liderança nascida da organização indígena urbana seja reconhecida também por posições sobre economia, infraestrutura, saúde e interior.

Os debates permitiram que ele colocasse essas ideias diante de uma audiência estadual. Se essa exposição será convertida em votos, somente as urnas responderão.

Até domingo, o candidato Ismael Munduruku 181 concentra os últimos movimentos da campanha justamente nisso: transformar visibilidade em conhecimento de nome, número e propostas.

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