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Tucumanus leva manifesto amazônico ao palco do Sou Manaus

Banda celebra 20 anos com Victor Xamã em show que mistura rock, rap, artes visuais e identidade amazonense

Os Tucumanus sobem ao palco do Sou Manaus Passo a Paço 2026 neste domingo (6) levando mais do que um repertório musical. A apresentação da banda no Palco Malcher, às 19h15, transforma em espetáculo uma ideia que acompanha o grupo há mais de uma década: afirmar a Amazônia a partir de quem vive, cria e produz nela.

No centro do show está o Manifesto escrito em 2014 pelo guitarrista Denilson Novo, um dos fundadores da banda. O texto nasceu como reação aos estereótipos construídos sobre a região e como defesa de uma produção artística amazônica capaz de falar por si mesma.

A proposta ganha ainda mais força neste ano, quando os Tucumanus completam 20 anos de trajetória e reencontram no palco o rapper Victor Xamã, com quem dividiram uma apresentação no Festival João Rock, em Ribeirão Preto, São Paulo.

Voz da Amazônia

O Manifesto parte de símbolos cotidianos da cultura regional para falar de identidade. A farinha de mandioca aparece como elo entre diferentes povos, enquanto o pirão funciona como metáfora da mistura de linguagens, influências e formas de expressão.

Para Denilson Novo, o texto continua atual porque nasceu da necessidade de reivindicar o direito de a própria Amazônia construir sua narrativa.

“O Manifesto é um desabafo de verdades artísticas pautado, literalmente, nas raízes culturais amazônicas, com o objetivo de quebrar os estereótipos, combater a ignorância e romper a barreira do silêncio”, afirma.

Essa ideia se estende à própria construção visual da apresentação. No palco, os músicos vestem camisetas de bandas de Manaus, em homenagem à cena local, enquanto o telão recebe trabalhos de artistas amazonenses como Manaus Macaco, Leo Mancini e Jayth Chaves Neto.

Encontro no palco

O repertório reúne faixas como “Serpenteia”, “120 Ponta Negra”, “O Boto”, “Carapuça” e “Tudo em Comprimidos”, combinando rock, guitarradas e referências da cultura popular amazônica.

A presença de Victor Xamã amplia essa mistura. O rapper chega ao Sou Manaus em um momento de renovação artística, impulsionado pelo álbum “Estreito”, desenvolvido com o produtor sul-coreano WillsBife e marcado pelo encontro entre sonoridades amazônicas, rap, neo soul e experimentações.

O reencontro com os Tucumanus em Manaus também carrega um significado especial para a banda.

“Tocar em casa tem um significado ainda maior. Poder trazer para o público esse encontro com o Victor Xamã, que começou no João Rock, e viver isso agora em Manaus é uma forma muito especial de comemorar essas duas décadas”, diz Denilson.

Duas décadas

Os Tucumanus chegam aos 20 anos mantendo uma formação numerosa e uma proposta artística baseada na mistura de linguagens.

A banda é formada por Clóvis Rodrigues, Denilson Novo, Mario Ruy, Dayan Winicius, Matheus Simões, Igor Brasil, Álvaro Nascimento e Francirbone.

Ao longo da trajetória, o grupo também acumulou registros audiovisuais e projetos que dialogam com sua identidade artística, entre eles o documentário “Obá Obá Obá”, além de trabalhos como “Manaus Circus Sonante”, “Amazônia Music Conspiração” e o videoclipe de “Churrasco de Gato”.

No Sou Manaus 2026, essa história chega ao palco como celebração, mas também como afirmação cultural. Depois de duas décadas, os Tucumanus continuam defendendo a mesma ideia que sustenta o Manifesto: a Amazônia não precisa apenas ser mostrada — precisa ser ouvida por quem a produz de dentro.

Fotos: Maurício Velloso

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