Inpa homenageia Philip Fearnside por 50 anos dedicados à Amazônia
Pesquisador será reconhecido nesta quinta-feira (13), em Manaus, por uma trajetória marcada por estudos sobre desmatamento, clima e conservação
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) homenageia, nesta quinta-feira (13), o pesquisador Philip Martin Fearnside pelos 50 anos de dedicação aos estudos e à conservação da Amazônia brasileira. A cerimônia será realizada às 16h, no auditório da Editora do Inpa, em Manaus, durante o fórum “Seminários da Amazônia”.
A homenagem reconhece uma das trajetórias científicas mais longevas e influentes ligadas à floresta amazônica. Fearnside pesquisa questões ambientais na região desde 1974 e integra o Inpa desde 1978, depois de ter vivido por dois anos na área da rodovia Transamazônica durante seus estudos.
Ao longo de cinco décadas, o pesquisador construiu uma produção científica extensa sobre desmatamento, mudanças climáticas, grandes obras de infraestrutura, serviços ambientais e modelos de desenvolvimento para a Amazônia.
Mais do que contabilizar tempo de carreira, a homenagem do Inpa destaca o alcance de uma obra científica que ajudou a colocar os impactos ambientais da ocupação amazônica no centro do debate nacional e internacional.
Transamazônica ao centro do debate climático
Nascido em Berkeley, nos Estados Unidos, Fearnside formou-se em Biologia pelo Colorado College e concluiu mestrado em Zoologia e doutorado em Ciências Biológicas pela Universidade de Michigan. No Inpa, tornou-se pesquisador titular e passou a concentrar seus estudos nos impactos provocados pelo desmatamento e por diferentes modelos de desenvolvimento na região.
Parte importante de sua produção científica trata da relação entre a destruição da floresta, as emissões de gases de efeito estufa e as mudanças climáticas.
Desde a década de 1990, Fearnside também defende que os serviços ambientais prestados pela floresta tenham valor econômico reconhecido como alternativa para sustentar populações rurais e reduzir a pressão sobre a vegetação nativa.
A produção acumulada ao longo da carreira supera 700 publicações científicas, segundo informações divulgadas para a homenagem.
Reconhecimento dentro e fora do Brasil
A atuação de Philip Fearnside também resultou em uma série de premiações e reconhecimentos.
Em 2004, recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel na área de Ciência Aplicada ao Meio Ambiente. Dois anos depois, conquistou o Prêmio Chico Mendes, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente na categoria Ciência e Tecnologia. Naquele mesmo período, foi apontado pelo então Institute for Scientific Information como um dos cientistas mais citados do mundo na área de aquecimento global.
Fearnside também é membro da Academia Brasileira de Ciências e participou dos trabalhos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo que recebeu, em conjunto com Al Gore, o Prêmio Nobel da Paz de 2007.
Amazônia ganha protagonismo
Para o Inpa, a homenagem também funciona como reconhecimento à importância da ciência produzida a partir da própria Amazônia.
Os estudos de Fearnside ajudaram a alimentar discussões sobre políticas públicas, conservação ambiental, construção de hidrelétricas e estradas, emissões de carbono e alternativas econômicas capazes de manter a floresta em pé.
Seu trabalho se tornou referência para pesquisadores brasileiros e estrangeiros e permanece presente em debates que envolvem desde decisões locais até negociações internacionais sobre clima.
A escolha de Fearnside como homenageado do “Seminários da Amazônia” reforça justamente esse papel da pesquisa científica de longo prazo: produzir conhecimento capaz de atravessar décadas e influenciar decisões sobre o futuro da região.
Aos 79 anos, o pesquisador continua vinculado ao Inpa e ativo na produção de estudos e análises sobre a Amazônia.


