Novas multas elevam pressão sobre Águas de Manaus
Autuações de R$ 968,5 mil reforçam cobrança por vazamentos, danos ao asfalto e falhas na recomposição de vias
As novas multas aplicadas pela Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman) à Águas de Manaus reforçam uma sequência de cobranças sobre a concessionária por problemas que vêm se repetindo em diferentes pontos da capital.
Desta vez, dois autos de infração somam R$ 968.515,93 e envolvem vazamentos na rede de abastecimento, danos ao pavimento e descumprimento de determinações feitas pela fiscalização na zona Norte.
As penalidades se somam a outras já aplicadas ao longo do ano. No primeiro semestre de 2026, a Ageman informou ter lavrado 14 autos de infração contra a Águas de Manaus, totalizando cerca de R$ 5 milhões em multas. Cinco deles estavam diretamente relacionados à má qualidade da recomposição do pavimento após intervenções da concessionária.
O problema já levou o prefeito Renato Junior a endurecer publicamente as cobranças. Em junho, ele afirmou que a Prefeitura passaria a autuar e multar intervenções que deixassem vias danificadas ou com recomposição inadequada.

Asfalto novamente afetado
Uma das novas multas, no valor de R$ 383.370,89, está relacionada a uma ocorrência na avenida Coronel Sávio Belota, via que havia recebido serviços de recapeamento da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).
Após identificar vazamento e comprometimento do pavimento, a Ageman notificou a concessionária e estabeleceu prazo de 48 horas para apresentação das causas do problema e das providências adotadas.
Segundo a agência, as informações não foram encaminhadas no prazo determinado, levando à aplicação da penalidade.
Situações semelhantes já haviam sido registradas em outros pontos da cidade.
Em março, por exemplo, a Ageman aplicou duas multas que somaram mais de R$ 500 mil após identificar falhas na recomposição asfáltica nas avenidas Eldorado e Ivanete Machado, no Parque 10.
Problema recorrente
A segunda nova autuação, de R$ 585.145,04, ocorreu na avenida Francisco de Queiroz, no bairro Cidade Nova.
Em vistoria realizada no dia 24 de julho, técnicos identificaram vazamento contínuo em um ramal de ligação. A água provocou encharcamento do solo, danos ao asfalto e formação de depressões na pista.
De acordo com a Ageman, a situação já havia recebido intervenções anteriores da Águas de Manaus, mas permaneceu sem solução definitiva por mais de um mês.
Além da multa, a agência determinou que a concessionária eliminasse o vazamento e recuperasse integralmente o pavimento, restabelecendo as condições de segurança para motoristas, pedestres e demais usuários.
Cobrança mais dura
A reincidência das ocorrências levou a Prefeitura de Manaus a ampliar o acompanhamento sobre as obras da concessionária.
No fim de junho, após flagrar uma intervenção em uma obra que estava embargada no conjunto Jardim Versalles, o prefeito Renato Junior cobrou explicações diretamente da direção da empresa e reforçou que novas irregularidades seriam autuadas.
Na ocasião, ele também criticou situações em que ruas recém-recuperadas pela Prefeitura voltavam a ser abertas pela concessionária e recebiam posteriormente uma recomposição considerada insuficiente.
A fiscalização das obras de manutenção passou a ser feita diariamente por determinação da Prefeitura, em articulação entre Ageman e outros órgãos municipais.
Para o diretor-presidente da Ageman, Ebenezer Bezerra, a responsabilidade da concessionária não termina com o reparo da rede.
“Nosso trabalho não termina com a execução do reparo. A Ageman acompanha se o pavimento foi devidamente recomposto, se o problema que originou a intervenção foi efetivamente solucionado e se todas as determinações da fiscalização foram cumpridas”, afirmou.
Fiscalização e denúncias
A população também pode informar à Ageman locais onde o pavimento não tenha sido recuperado ou apresente problemas depois de obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
As denúncias podem ser feitas pelos números de WhatsApp (92) 98842-2919 e (92) 98410-3247, além dos canais eletrônicos da Ouvidoria da agência.
A sequência de autuações mostra que a discussão sobre as intervenções da Águas de Manaus deixou de ser apenas uma questão pontual de manutenção.
Ela passou a envolver também a conservação do patrimônio viário, o dinheiro público aplicado na recuperação das ruas e a segurança de quem circula pela cidade.
Para a Prefeitura, a ampliação da rede de saneamento precisa ocorrer sem que o avanço de um serviço represente a deterioração de outro.


