Plínio Valério reforça discurso de enfrentamento em defesa do Amazonas
Em vídeo divulgado nas redes sociais, senador afirma que mandato exige coragem diante de ataques e diz que não foi eleito para defender a própria imagem
O senador Plínio Valério (PSDB-AM) voltou a adotar um discurso de enfrentamento ao afirmar que um parlamentar não pode se intimidar diante de ataques, acusações ou possíveis crimes contra a honra. Em vídeo publicado nas redes sociais, o amazonense declarou que o mandato recebido nas urnas deve ser usado para defender os interesses do estado, e não para responder a adversários.
“Senador não pode ter medo de injúria, calúnia e difamação”, afirmou Plínio durante um encontro político. Na sequência, o parlamentar reforçou uma frase que tem usado em pronunciamentos públicos: “Eu não fui eleito para me defender. Fui eleito para defender o Amazonas”.
O vídeo não informa, no trecho divulgado, a data ou o local do evento. As imagens mostram o senador conversando com apoiadores e lideranças políticas. Durante a manifestação, Plínio reconhece que enfrenta receios e pressões, mas afirma que a responsabilidade do mandato se sobrepõe ao medo pessoal.
Mandato e coragem
“Não é porque eu não tenha receio. Claro que eu tenho. Mas, no momento em que vocês me colocam senador da República, eu perco o medo, eu perco o receio”, declarou.
A manifestação reforça uma linha política adotada pelo senador nos últimos anos. Plínio tem associado sua atuação parlamentar a pautas consideradas estratégicas para o Amazonas, como a recuperação da BR-319, a exploração responsável dos recursos naturais, a autonomia econômica da região e a revisão de políticas ambientais que, segundo ele, limitam o desenvolvimento do estado.
O senador exerce mandato até 2027 e aparece atualmente como líder do PSDB no Bloco Parlamentar Democracia do Senado. Jornalista e natural de Eirunepé, Plínio já exerceu mandatos de vereador em Manaus e deputado federal antes de chegar ao Senado, em 2019.
O posicionamento apresentado no vídeo não é novo. Em março de 2025, após uma controvérsia no Senado, o parlamentar já havia afirmado na tribuna que não usaria o mandato para tratar de sua defesa pessoal.
Na ocasião, declarou que havia sido eleito para defender o Amazonas e que continuaria usando os pronunciamentos para abordar os problemas enfrentados pela população do estado.
Pressões políticas
Em outro discurso, realizado em abril de 2025, Plínio disse estar disposto a pagar o preço político de suas posições. O senador citou embates com ministros, organizações não governamentais e setores ligados à política ambiental.
“Eu não vou usar a tribuna para me defender nunca, porque eu não fui eleito para me defender, eu fui eleito para defender o Amazonas”, afirmou naquele pronunciamento.
A repetição da declaração mostra que a frase passou a integrar a comunicação política do senador. O discurso procura apresentar Plínio como um parlamentar disposto a enfrentar críticas e resistências em Brasília para defender pautas regionais.
No cenário político, essa estratégia também fortalece a conexão com eleitores que consideram o Amazonas prejudicado por decisões tomadas sem conhecimento da realidade amazônica.
Defesa regional
Em abril deste ano, Plínio voltou a defender a recuperação da BR-319 e criticou entraves ambientais, judiciais e burocráticos enfrentados pelo Amazonas. Durante o pronunciamento, afirmou que pretende continuar no Senado por mais oito anos, caso tenha sua candidatura referendada pelos eleitores amazonenses.
O parlamentar sustenta que a rodovia é indispensável para garantir o direito de ir e vir da população e integrar Manaus ao restante do país por via terrestre. Atualmente, o Amazonas permanece representado no Senado por Plínio Valério, Eduardo Braga e Omar Aziz.
Em julho, Plínio também criticou o que chamou de “ativismo climático” e argumentou que determinadas políticas ambientais condenam a população amazônica à pobreza. Segundo o senador, a preservação da floresta deve ser conciliada com oportunidades econômicas e geração de renda para os moradores da região.
Recado político
No encerramento do vídeo, Plínio conversa com apoiadores e afirma que as lutas locais também podem encontrar representação no Congresso Nacional. “Sinta-se lá em Brasília junto comigo”, diz o senador a um dos participantes do encontro.
A publicação funciona como um recado político em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026. Ao transformar críticas e ataques em parte de sua narrativa pública, Plínio busca reforçar a imagem de independência e enfrentamento.
Mais do que responder a uma acusação específica, o senador procura colocar a defesa do Amazonas no centro de sua atuação. A mensagem transmitida no vídeo é direta: o medo pode existir no campo pessoal, mas não deve determinar o comportamento de quem recebeu um mandato popular.
Da Redação


