Renato Junior cobra pagamento imediato dos rodoviários e retomada dos ônibus
Prefeito pediu que empresas transferissem imediatamente os salários atrasados aos trabalhadores e apelou ao sindicato pelo encerramento da greve que afetou milhares de passageiros em Manaus
O prefeito de Manaus, Renato Junior, cobrou, nesta quarta-feira (22), que as empresas de transporte coletivo utilizassem imediatamente o repasse de R$ 18 milhões feito pelo Governo do Amazonas para quitar os salários atrasados dos rodoviários e garantir a retomada integral da circulação dos ônibus na capital.
O recurso foi depositado pelo Executivo estadual na conta do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e corresponde a parcelas destinadas ao custeio do transporte dos estudantes da rede pública estadual. Segundo o Governo do Amazonas, o pagamento foi realizado em cumprimento a uma decisão judicial relacionada ao Passe Livre Estudantil.
Após a confirmação do depósito, Renato Junior afirmou que o dinheiro deveria chegar sem demora às contas de motoristas, cobradores e demais trabalhadores do sistema. O prefeito também fez um apelo direto ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus para que a greve fosse encerrada assim que os salários fossem pagos.
“Solicito, agora, encarecidamente ao Sinetram: por favor, faça o pagamento imediatamente dos cobradores, dos motoristas, dos trabalhadores. Já está na conta parte do que o Governo do Estado deve”, declarou.

Pressão pelo pagamento
A manifestação ocorreu depois de o prefeito cobrar publicamente do Governo do Amazonas a regularização dos repasses referentes ao transporte dos alunos da rede estadual.
Durante o impasse, Renato Junior sustentou que a Prefeitura de Manaus vinha arcando com os compromissos municipais relacionados ao sistema e que a ausência da parcela estadual teria agravado a crise financeira enfrentada pelas empresas.
O Governo do Amazonas, por sua vez, informou que os R$ 18 milhões correspondem às parcelas acumuladas entre fevereiro e julho de 2026. O Estado também declarou que o pagamento atendia aos critérios definidos judicialmente para o custeio das passagens estudantis.
A paralisação dos rodoviários começou na segunda-feira (20), após a categoria denunciar atrasos recorrentes nos salários. O movimento comprometeu a circulação dos ônibus em diferentes áreas da cidade e provocou transtornos para trabalhadores, estudantes e demais usuários do transporte público.
Apelo em nome da população
Renato Junior pediu que o Sinetram realizasse o pagamento ainda durante a manhã desta quarta-feira, possibilitando o retorno imediato dos ônibus às ruas.
“Fica aqui meu apelo para que, antes do almoço, esse recurso já esteja na conta dos trabalhadores. Presidente Givancir, fica aqui meu apelo. A partir do momento em que esse dinheiro cair na conta dos trabalhadores, paralise a greve, por favor. É um apelo em nome da população”, afirmou o prefeito.
A cobrança colocou no centro do debate a situação dos rodoviários, que reivindicavam o recebimento dos salários atrasados, e os impactos da paralisação sobre milhares de pessoas que dependem diariamente do transporte coletivo.
Após a confirmação de que os recursos estavam disponíveis e de que os pagamentos seriam realizados, o presidente do sindicato dos rodoviários, Givancir Oliveira, anunciou o encerramento da greve. A circulação dos ônibus começou a ser normalizada depois de dois dias de paralisação.
Impasse entre Estado e município
A crise no transporte coletivo também provocou uma disputa pública entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus sobre a responsabilidade pelos recursos destinados ao sistema.
Enquanto a administração municipal atribuiu parte do desequilíbrio à ausência dos repasses estaduais relativos aos estudantes da rede pública, representantes do Estado contestaram os valores apresentados e afirmaram que o depósito seguia determinação judicial.
O Sinetram chegou a informar que a dívida estadual seria superior ao montante pago, considerando o valor da tarifa técnica. O Governo do Amazonas, entretanto, declarou que o cálculo deveria seguir o valor de R$ 2,50 por passagem estabelecido judicialmente.
Renato Junior afirmou que continuará cobrando a regularização de outros compromissos financeiros do Estado e ampliou as críticas para áreas como saúde e segurança pública.
“Depois de tanta pressão, espero que o governo faça a mesma coisa com os trabalhadores da saúde, com a segurança pública. Pague quem está atrasado, porque ninguém aguenta mais”, concluiu.
Com o fim da greve, o desafio passa a ser evitar novos atrasos e construir uma solução permanente para o financiamento do transporte coletivo. A sucessão de paralisações demonstra que o sistema continua operando sob forte instabilidade financeira, atingindo principalmente os trabalhadores do setor e a população que depende dos ônibus para se deslocar pela cidade.


