Caprichoso abre o Festival exaltando a cidade onde nasceu sua própria história
Boi azul aposta na força da ancestralidade, da memória e da identidade parintinense para abrir a disputa pelo título de 2026
PARINTINS (AM) – Primeiro a entrar na arena do Bumbódromo por escolha estratégica após vencer o sorteio da ordem das apresentações, o Boi Caprichoso abriu, na sexta-feira (26), a 59ª edição do Festival Folclórico de Parintins com um espetáculo que voltou o olhar para a própria origem. Em vez de iniciar a narrativa pelos grandes mitos da floresta, o boi azul escolheu homenagear a cidade, sua gente e os elementos culturais que moldaram a identidade de Parintins ao longo das gerações.
O primeiro ato do projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”, intitulado “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem”, transformou a arena em um espaço de celebração da memória coletiva. A apresentação reuniu referências à ancestralidade indígena, aos saberes populares e às tradições que fazem da Ilha Tupinambarana um dos principais símbolos da cultura amazônica.
A decisão de abrir as três noites do festival foi definida pela diretoria do Caprichoso após o boi vencer o sorteio da ordem das apresentações. A estratégia buscou imprimir o ritmo da disputa desde os primeiros minutos, colocando em cena um espetáculo de forte impacto visual, marcado por grandes alegorias, efeitos cênicos e uma narrativa construída para aproximar o público da história e da essência do boi azul.

Entre os momentos mais marcantes da apresentação esteve a evolução da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, que surgiu suspensa sobre um praticável, arrancando aplausos do público pela beleza do efeito cênico. Outro instante de forte emoção foi o retorno de Rei Azevedo à arena. Um dos maiores nomes da história do Caprichoso voltou a interpretar o Amo do Boi, emocionando diferentes gerações de torcedores ao reviver versos que ajudaram a construir a identidade do boi da estrela na testa.

Outro momento de grande impacto foi a entrada da Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque, um dos itens mais emblemáticos do boi azul. Com uma evolução marcada por força, precisão e expressividade, a guerreira do Caprichoso mais uma vez demonstrou por que é considerada uma das grandes referências do Festival de Parintins. A performance arrancou aplausos da galera azul e reforçou a proposta artística do espetáculo, que uniu ancestralidade, identidade indígena e forte presença cênica.

Ao longo da apresentação, música, dança, teatro e artes visuais dialogaram para reforçar a ideia de que o Caprichoso nasce da própria história de Parintins e da contribuição dos povos indígenas, artistas, trabalhadores e brincantes que transformaram o festival em patrimônio cultural brasileiro.
A resposta da galera azul confirmou o envolvimento entre boi e torcida. Das arquibancadas, milhares de torcedores acompanharam cada evolução com coreografias, cantos e uma participação que transformou o público em parte integrante do espetáculo.
Ao abrir a primeira noite do festival, o Caprichoso deixou claro que sua proposta para 2026 vai além da disputa pelo título. O boi azul escolheu começar pela própria origem, reafirmando que conhecer a história de Parintins é também compreender as raízes da cultura amazônica.
Fotos: Tiago Correa/Secom


