Zona Franca reage a críticas e setor industrial reforça papel estratégico da Amazônia para o Brasil
Presidente do SIAM rebate declarações de influenciador e destaca geração de empregos, bioeconomia e preservação ambiental ligada ao modelo industrial de Manaus
A Zona Franca de Manaus (ZFM) voltou ao centro do debate nacional após declarações do influenciador digital Gabriel Silva, que criticou o modelo econômico instalado na capital amazonense e questionou os custos logísticos e os incentivos fiscais destinados ao Polo Industrial de Manaus (PIM).
As declarações repercutiram fortemente entre representantes do setor produtivo do Amazonas, que reagiram defendendo a importância econômica, social e ambiental da Zona Franca para o país. Um dos posicionamentos mais contundentes veio do presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus (SIAM), Pedro Monteiro, que classificou as críticas como reflexo de desinformação sobre a realidade da Amazônia e do papel estratégico exercido pelo modelo.
“Dizer que a Zona Franca só beneficia o Amazonas e que sua logística é falida é ignorar o papel estratégico que Manaus tem para a soberania e o abastecimento do Brasil. A ZFM não é um custo; é um investimento que gera riqueza para todo o território nacional e, acima de tudo, protege o maior patrimônio ambiental do planeta”, afirmou.
Modelo estratégico
Criada há mais de cinco décadas, a Zona Franca de Manaus se consolidou como um dos principais polos industriais do Brasil e, segundo representantes do setor, segue desempenhando papel fundamental tanto para a economia quanto para a preservação ambiental da Amazônia.
Dados recentes da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) apontam que o Polo Industrial registrou faturamento superior a R$ 227 bilhões em 2025, além de manter mais de 131 mil empregos diretos e cerca de 500 mil postos de trabalho indiretos em todo o país.
O segmento de duas rodas continua entre os destaques da produção industrial amazonense. O polo de motocicletas instalado em Manaus é considerado o maior fora do eixo asiático e fechou 2025 com quase 2 milhões de unidades produzidas, maior resultado dos últimos 15 anos. Para 2026, a projeção do setor é ultrapassar a marca histórica de 2 milhões de motocicletas fabricadas.
Além da indústria eletroeletrônica e de duas rodas, o setor alimentício passou a ganhar protagonismo dentro da estratégia de diversificação econômica defendida pelo modelo da Zona Franca.
Bioeconomia
Segundo Pedro Monteiro, a nova fase do Polo Industrial busca integrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental por meio da bioeconomia e do fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia.
Entre os setores apontados como prioritários estão piscicultura, agricultura familiar, produção de frutas regionais, proteína animal e processamento de produtos amazônicos com apelo internacional, como açaí e guaraná.
Representantes da indústria defendem que a concentração da atividade econômica em áreas urbanas e industriais reduz a pressão sobre a floresta e ajuda a conter o avanço do desmatamento.
“O consumidor brasileiro não paga mais caro por causa de Manaus; ele se beneficia de uma indústria nacional forte, que gera mais de meio milhão de empregos e garante que a Amazônia continue cumprindo seu papel climático essencial para o mundo. Atacar a Zona Franca é atacar o próprio desenvolvimento do Brasil”, declarou o presidente do SIAM.
Debate nacional
As declarações do influenciador reacenderam um debate antigo sobre os incentivos fiscais concedidos ao modelo da Zona Franca e sobre os desafios logísticos da região amazônica.
Enquanto críticos apontam custos operacionais elevados, representantes do setor produtivo e especialistas em desenvolvimento regional defendem que o modelo é estratégico não apenas para o Amazonas, mas para a integração econômica, soberania territorial e preservação ambiental do país.


