DESENVOLVIMENTO AMAZÔNICODESTAQUE

Projeto transforma comunidades da Amazônia com inteligência artificial e energia limpa

Iniciativa liderada pela Dell integra conectividade, conservação ambiental, educação e telessaúde em áreas remotas do Amazonas

A Amazônia brasileira começa a experimentar um novo modelo de desenvolvimento sustentável baseado em conectividade, energia limpa e inteligência artificial. Em uma das regiões mais isoladas do Amazonas, o projeto Solar Community Hub, liderado pela Dell Technologies em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável, a Computer Aid e a Fundação Banco do Brasil, vem transformando a realidade de comunidades ribeirinhas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Amapá, em Manicoré.

A iniciativa combina energia solar, acesso à internet, capacitação tecnológica, monitoramento ambiental e serviços de telessaúde em uma estrutura comunitária voltada a populações historicamente afetadas pelo isolamento geográfico e pela exclusão digital.

O projeto já atende 13 comunidades e deve alcançar pelo menos 15 ainda este ano, beneficiando cerca de 2,6 mil pessoas em áreas remotas do sul do Amazonas.

Tecnologia na floresta

O diferencial do Solar Community Hub está justamente na integração entre tecnologia avançada e saberes tradicionais amazônicos.

Além de fornecer energia limpa e conectividade, o projeto passou a incorporar inteligência artificial ao monitoramento socioambiental das comunidades. A proposta utiliza sensores acústicos instalados na floresta para registrar sons da fauna e transformar os dados em informações capazes de auxiliar ações de conservação ambiental.

O sistema, chamado Curupira, foi desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas e utiliza inteligência artificial para identificar padrões sonoros de espécies monitoradas na floresta.

Os dados são organizados e processados por equipamentos robustos desenvolvidos pela Dell, permitindo acompanhar mudanças ambientais e apoiar estratégias de preservação.

A iniciativa também forma jovens monitores socioambientais dentro das próprias comunidades, ampliando o protagonismo local no uso da tecnologia e na produção de informações ambientais.

Inclusão digital

Em muitas regiões da Amazônia profunda, o acesso à internet ainda representa um desafio estrutural que impacta diretamente educação, saúde e geração de renda.

O Solar Community Hub tenta reduzir esse abismo digital ao oferecer cursos de letramento digital, agroecologia, formação tecnológica e oficinas ligadas ao uso da inteligência artificial.

A estrutura também abriga hortas comunitárias utilizadas como ferramenta pedagógica para fortalecer segurança alimentar e práticas sustentáveis de produção.

Na área da saúde, o projeto oferece consultas por telessaúde e atividades voltadas à educação alimentar, ampliando o acesso a atendimentos básicos em localidades de difícil acesso.

Amazônia conectada

Para especialistas envolvidos no projeto, o modelo desenvolvido em Manicoré demonstra que a tecnologia pode funcionar como ferramenta de fortalecimento social e ambiental na Amazônia.

A gerente do Programa de Educação para a Sustentabilidade da FAS, Fabiana Cunha, afirma que o projeto mostra como o cuidado com as populações tradicionais está diretamente ligado à preservação da floresta.

“O Solar Community Hub demonstra que, quando cuidamos das pessoas que cuidam da floresta, o resultado é uma Amazônia mais conectada, resiliente e melhor preparada para enfrentar a crise climática com seu próprio protagonismo”, destacou.

Já o coordenador do Sistema Curupira na UEA, Raimundo Cláudio Souza Gomes, avalia que o uso da inteligência artificial no monitoramento ambiental abre novas possibilidades para conservação e gestão territorial.

Segundo ele, a receptividade das comunidades durante a fase de testes tem sido positiva e a tendência é ampliar a aplicação da tecnologia em novas áreas da Amazônia.

Fotos: Rodolfo Pongelupe

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