Acordo internacional projeta exploração de terras raras em Apuí e coloca Amazonas no radar global
Parceria entre empresas do Brasil e da Ásia mira viabilidade técnica e comercial de minerais estratégicos para a transição energética
O município de Apuí, no sul do Amazonas, pode se tornar um novo polo estratégico da mineração global. Um acordo firmado entre a Mineração BBX do Brasil e a Southern Alliance Mining abre caminho para a avaliação técnica, comercial e logística da produção de terras raras na região.
A parceria, formalizada no último domingo (19), estabelece uma cooperação inicial para análise do potencial do projeto, que já se encontra em fase de licenciamento ambiental. O foco é estruturar bases para futuras operações, incluindo estudos de mercado, cadeias logísticas e possíveis modelos de negócio, como joint ventures e acordos de fornecimento.

Minerais estratégicos
As chamadas terras raras estão entre os insumos mais valorizados da economia global contemporânea. Elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são fundamentais para a fabricação de tecnologias de ponta, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Estudos técnicos apontam que o depósito identificado em Apuí apresenta elevado teor desses minerais. Análise conduzida pela Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear indica concentração de até 41,5% de elementos magnéticos — índice considerado alto para padrões internacionais.
Tecnologia e impacto
Para a extração, uma das técnicas em avaliação é a lixiviação in situ (ISR), método já utilizado em países asiáticos para depósitos de argila iônica. A tecnologia permite a recuperação dos minerais por meio da injeção de soluções no solo, reduzindo a necessidade de escavações tradicionais.
Embora seja apontada como alternativa de menor impacto ambiental em comparação à mineração convencional, a técnica ainda exige rigorosos estudos e acompanhamento ambiental, especialmente em regiões sensíveis como a Amazônia.
Descoberta recente
As terras raras em Apuí foram identificadas em 2023, durante campanhas de exploração conduzidas pela BBX. Desde então, o projeto tem avançado com base em levantamentos geológicos que indicam similaridade com depósitos encontrados na Ásia — atualmente os principais produtores mundiais desses minerais.
Novo vetor econômico
A movimentação coloca o Amazonas no centro de uma cadeia produtiva estratégica para a transição energética global. Ao mesmo tempo, acende o debate sobre os desafios de conciliar desenvolvimento econômico, exploração mineral e preservação ambiental na região.
O avanço do projeto dependerá, nos próximos meses, da consolidação dos estudos técnicos e da evolução do processo de licenciamento ambiental, etapa decisiva para definir os rumos da iniciativa.
Foto: Divulgação


