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Manaus avança para acabar com escolas de madeira na zona rural

Últimas nove unidades de madeira ou mistas estão sendo substituídas por prédios de alvenaria; nova operação leva 330 toneladas de materiais às comunidades ribeirinhas

As tradicionais estruturas de madeira que durante décadas fizeram parte da realidade da educação ribeirinha estão perto de desaparecer da rede municipal de Manaus. As últimas nove escolas construídas total ou parcialmente com esse material estão em processo de substituição por prédios de alvenaria, encerrando um passivo histórico de infraestrutura na zona rural da capital.

Na segunda-feira (14), uma balsa carregada com 330 toneladas de materiais destinados às obras das escolas municipais Luiz Alberto Castelo, na comunidade Caramuri, e São Jorge, no Lago Arumã, ambas localizadas na margem esquerda do rio, chegou ao seu destino.

As duas unidades estão próximas de alcançar 80% de execução. O novo carregamento, composto por tijolos, telhas termoacústicas, forro, seixo, areia, massa e tintas, permitirá avançar na cobertura e no acabamento dos prédios.

O envio faz parte de uma operação maior para substituir as últimas nove escolas de madeira ou de estrutura mista da zona ribeirinha por unidades permanentes de alvenaria.

Adeus à madeira

A mudança vai além do material utilizado nas paredes.

As novas escolas terão quatro salas de aula climatizadas, biblioteca, sala de recursos, espaço para professores, banheiros adequados e acesso à internet. A proposta é aproximar a infraestrutura oferecida às crianças das comunidades ribeirinhas daquela disponível na área urbana, respeitando as particularidades geográficas da região.

Para famílias que vivem a horas de barco da sede de Manaus, a escola também desempenha um papel que ultrapassa o ensino formal. A chegada da internet e de uma estrutura permanente amplia as possibilidades de acesso à informação e pode transformar as unidades em pontos de integração das próprias comunidades.

O secretário municipal de Educação, Arone Bentes, afirma que a eliminação das escolas de madeira está entre os objetivos da atual etapa de investimentos na área rural.

“Esse é o esforço da administração municipal para que a gente elimine as escolas de madeira e proporcione prédios de alvenaria com maior conforto para as nossas crianças”, afirmou.

Segundo ele, a estrutura permitirá atender estudantes da educação infantil e do ensino fundamental dentro das próprias comunidades.

Educação pelos rios

Acabar com as escolas de madeira na zona ribeirinha envolve um desafio pouco encontrado na expansão da rede urbana: praticamente tudo precisa chegar pelo rio.

A viagem da carga enviada para Caramuri e Lago Arumã levou cerca de 20 horas. Além da distância, o transporte precisa considerar as condições dos rios e as dificuldades de desembarque de centenas de toneladas de material nas comunidades.

A operação desta semana é a terceira realizada apenas neste ano.

Em março e maio, outras duas remessas levaram, juntas, 980 toneladas de materiais de construção para a zona ribeirinha. Com as 330 toneladas embarcadas agora, o volume destinado às obras chega a 1.310 toneladas.

A dimensão do carregamento ajuda a mostrar o que significa substituir estruturas de madeira por prédios de alvenaria em áreas onde não há acesso rodoviário.

“É um trabalho desafiador de logística, realizado inclusive durante o período noturno, para garantir que as obras não parem”, explicou Arone Bentes.

Rede rural cresce

A transformação da infraestrutura ocorre paralelamente ao aumento do número de estudantes atendidos pela rede municipal na zona rural.

Em 2021, aproximadamente 8,5 mil alunos estudavam nas unidades rurais de Manaus. Atualmente, são mais de 12 mil.

Isso representa um crescimento superior a 40% no atendimento em cinco anos e aumenta a pressão pela oferta de estruturas capazes de acompanhar a expansão das matrículas.

Nesse cenário, substituir as últimas escolas de madeira significa não apenas modernizar prédios antigos, mas consolidar condições mais permanentes para uma rede que precisa atender crianças e adolescentes espalhados por comunidades terrestres e ribeirinhas em um território de grandes distâncias.

Passivo histórico

A escola de madeira faz parte da própria história da ocupação amazônica. Em comunidades onde rios são estradas e o transporte de materiais sempre foi complexo, construir com os recursos disponíveis durante muito tempo foi a alternativa possível para garantir a presença do poder público e levar educação às crianças.

Mas estruturas que cumpriram essa função histórica também carregam limitações de conforto, durabilidade e adaptação às novas necessidades pedagógicas e tecnológicas.

É essa etapa que Manaus começa a deixar para trás.

Quando as nove últimas unidades forem concluídas, a substituição representará uma mudança física facilmente perceptível — madeira dando lugar à alvenaria —, mas também um marco para uma rede de ensino que alcança hoje mais de 12 mil estudantes na zona rural.

Para quem vive às margens dos rios, a distância continuará fazendo parte da rotina. A diferença é que ela não precisa mais significar estudar em uma estrutura inferior à encontrada na cidade.

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