Rivais elevam ataques enquanto David aposta em gestão para crescer
Com Cidade, Maria do Carmo e David próximos na disputa pelas vagas do segundo turno, campanha entra em fase mais agressiva; candidato do Avante evita confronto e tenta transformar entregas de Manaus em ativo eleitoral
A menos de um mês do primeiro turno, a corrida pelo Governo do Amazonas começa a mudar de temperatura. Omar Aziz (PSD), Roberto Cidade (União Brasil) e Maria do Carmo (PL) aumentaram o tom contra os adversários, enquanto David Almeida (Avante) segue, até aqui, por um caminho diferente: evita entrar diretamente na guerra e concentra sua campanha na apresentação de resultados de sua passagem pela Prefeitura de Manaus.
A diferença de estratégia ocorre justamente quando as pesquisas mostram uma disputa cada vez mais apertada pelas vagas no segundo turno.
Levantamento Paraná Pesquisas divulgado na sexta-feira (5) apontou Omar na liderança, com 29,6%, seguido por Cidade, com 21,5%, Maria do Carmo, com 19,4%, e David, com 16,8%. Com margem de erro de 2,7 pontos percentuais, há sobreposição dos intervalos entre candidatos que disputam as posições seguintes.
Poucos dias antes, a Quaest também havia mostrado Omar à frente, com 26%, Cidade com 18%, Maria do Carmo com 16% e David com 15%.
É nesse ambiente de proximidade que os adversários começam a procurar um ao outro com mais intensidade.
Sobreviver ao primeiro turno
Omar lidera, mas não pode assistir passivamente ao crescimento dos concorrentes. Cidade precisa preservar a segunda colocação. Maria do Carmo tenta ultrapassá-lo. David, mesmo numericamente atrás em alguns levantamentos, permanece suficientemente próximo para ameaçar a configuração atual.
A disputa mais apertada parece explicar boa parte da escalada retórica.
Neste final de semana, Maria do Carmo, Cidade e Omar passaram a intensificar críticas e ataques, enquanto David mantém sua propaganda concentrada em obras e ações executadas em Manaus.
O confronto, na verdade, começou antes. Na estreia da propaganda eleitoral, Maria do Carmo colocou Omar, Cidade e David entre os alvos de sua ofensiva, enquanto Omar direcionou críticas especialmente à administração estadual.
Na propaganda de rádio, Cidade também apareceu como adversário preferencial de Maria do Carmo e Omar.
Mas o que chama atenção nesta reta da campanha é que David não parece ter sido escolhido como alvo central da guerra.
Por que David ainda não é o alvo principal?
Não há uma única resposta — e seria precipitado afirmar que existe um acordo ou decisão deliberada entre adversários. A própria lógica eleitoral, porém, oferece algumas pistas.
Cidade e Maria do Carmo têm uma urgência imediata: estão disputando praticamente o mesmo espaço na corrida pelo segundo turno.
Omar, por sua vez, precisa administrar a liderança e observar principalmente quem pode oferecer maior resistência numa eventual segunda rodada.
A Paraná Pesquisas mostrou que o confronto mais apertado para Omar seria justamente contra Roberto Cidade: 45% a 39,3%. Contra Maria do Carmo e David, a vantagem do senador seria maior.
É natural, portanto, que uma parcela maior da artilharia esteja concentrada entre os candidatos que hoje enxergam um no outro obstáculos imediatos.
David pode acabar se beneficiando dessa dinâmica.
Enquanto os rivais gastam tempo político definindo adversários, reagindo a críticas e tentando desconstruir candidaturas concorrentes, o candidato do Avante procura manter a campanha em um terreno que conhece: a gestão de Manaus.
“Fiz em Manaus”
A estratégia de David já havia aparecido claramente no primeiro debate da Band. Em vez de construir sua candidatura principalmente sobre ataques, ele apresentou seus dois mandatos na Prefeitura como credencial para governar o Estado — numa espécie de síntese: o que fez em Manaus, pretende levar ao Amazonas.
O #SouManaus Passo a Paço 2026 ofereceu um exemplo recente dessa estratégia.
Durante o fim de semana, David percorreu os espaços do festival, relembrou a expansão do evento durante sua administração e relacionou a realização do #SouManaus à revitalização de áreas do Centro Histórico, ao turismo, à geração de emprego e à ocupação de espaços públicos.
A intenção é deslocar o debate para obras e realizações que o eleitor de Manaus consegue reconhecer fisicamente.
É uma escolha com vantagens e riscos.
A vantagem é permitir que David tente ocupar um espaço menos conflagrado no momento em que os demais candidatos aumentam o tom. O risco é deixar de responder a críticas que, se crescerem, podem se consolidar sem contraponto.
Por enquanto, a campanha parece avaliar que o primeiro caminho compensa mais.
Deixar os adversários brigarem
Há ainda um fator novo nessa equação.
David está no mesmo partido de Augusto Cury, presidenciável que vem crescendo nas pesquisas defendendo justamente a redução da polarização política. No Datafolha divulgado na quinta-feira (3), Cury alcançou 8%, seis pontos acima do levantamento anterior. Real Time Big Data e Nexus chegaram a registrá-lo com 11%.
O discurso nacional do Avante pode ajudar David a dar coerência a uma postura estadual de menor confronto.
Se conseguir sustentar essa posição, ele poderá tentar se apresentar como alternativa à guerra política justamente quando Cidade, Maria do Carmo e Omar elevam a temperatura.
Não significa que permanecerá fora dos ataques até outubro. Quanto mais David crescer, maior tende a ser o incentivo dos adversários para mirá-lo.
Mas, neste momento da campanha, há uma situação curiosa: enquanto três candidaturas disputam espaço também pelo confronto, David tenta avançar deixando que os outros briguem — e apresentando a Prefeitura de Manaus como sua principal peça de campanha.
A pergunta que as próximas pesquisas deverão responder é se essa estratégia será suficiente para tirá-lo da quarta posição e colocá-lo definitivamente na briga por uma vaga no segundo turno.


