Prefeitura recupera complexos viários e muda paisagem de Manaus
Programa alcança dez estruturas da capital com recuperação física, nova sinalização, iluminação, paisagismo e intervenções de arte urbana.
Os complexos viários de Manaus começaram a ganhar uma nova configuração. Estruturas que durante anos acumularam marcas do tempo, desgaste, pichações e problemas de conservação estão sendo incorporadas a um programa de recuperação lançado pela Prefeitura que reúne manutenção física, segurança viária e uma mudança na própria paisagem urbana da capital.
A primeira etapa contempla dez viadutos e complexos viários. O trabalho ganhou força em julho, dentro do pacote de intervenções lançado nos primeiros 100 dias da gestão do prefeito Renato Junior, e já alcançou estruturas localizadas em alguns dos principais corredores de circulação de Manaus.
A proposta vai além de uma nova pintura. Entre os serviços previstos estão recuperação de fissuras, reconstrução ou manutenção das juntas de dilatação, correções no sistema de drenagem, pavimentação, sinalização horizontal e vertical, iluminação em LED, limpeza, paisagismo e intervenções artísticas.
É uma combinação que tenta responder a duas necessidades que nem sempre caminham juntas na manutenção da cidade: conservar estruturas fundamentais para a mobilidade e, ao mesmo tempo, devolver qualidade aos espaços urbanos que se formaram em torno delas.

Primeiro pacote
O Complexo Viário Miguel Arraes, no Parque 10 de Novembro, foi o primeiro a receber as intervenções do novo programa. Localizado no encontro das avenidas Mário Ypiranga Monteiro, Ephigênio Salles e Darcy Vargas com a rua Maceió, ele passou a funcionar também como uma espécie de vitrine do modelo que a Prefeitura pretende aplicar às demais estruturas.
Além das ações de conservação, o complexo recebeu nova iluminação, sinalização, paisagismo e grafites produzidos por artistas locais. As pinturas exploram elementos da identidade e da cultura amazônica, incorporando arte urbana a um equipamento originalmente concebido apenas para organizar o trânsito.
Para o prefeito Renato Junior, recuperar estruturas já existentes deve fazer parte da mesma lógica aplicada à construção de novas obras.
“Cuidar de Manaus não é apenas construir novos viadutos, mas também ter a responsabilidade de reformar, cuidar, limpar e deixar os viadutos que já existem há muitos anos reformados, limpos e cuidados”, afirmou durante vistoria ao Miguel Arraes.

Outros corredores
Depois do Miguel Arraes, as equipes avançaram para outros pontos estratégicos.
Um deles é o viaduto Dom Jackson Damasceno Rodrigues, conhecido como viaduto do Olímpico, no cruzamento das avenidas Constantino Nery e Senador Álvaro Maia. A recuperação foi iniciada em 21 de julho e integra oficialmente o pacote de modernização.
Também entrou no cronograma a passagem inferior localizada no cruzamento da Constantino Nery com a avenida Theomário Pinto. No local, a Seminf passou a realizar parte dos serviços durante a noite e a madrugada para reduzir as interferências em um dos corredores mais movimentados da cidade.

Na zona Leste, o Complexo Viário Engenheiro Luiz Augusto Veiga Soares, no São José Operário, começou a ser modernizado em 11 de agosto. A intervenção inclui recuperação da estrutura e serviços voltados à segurança, mobilidade e valorização do espaço urbano.
O pacote se soma a outras ações iniciadas pela Prefeitura em passarelas e canteiros centrais. Entre os pontos citados no cronograma municipal estão estruturas próximas à Arena da Amazônia, ao Amazonas Shopping, à igreja Santa Cecília e ao supermercado Nova Era, além do canteiro central da avenida Margarita, na zona Norte.
Manutenção urbana
A recuperação dos viadutos chama atenção para uma questão que costuma receber menos visibilidade do que a inauguração de novas obras: a manutenção dos equipamentos públicos depois que eles entram em funcionamento.
Juntas de dilatação desgastadas, fissuras, problemas de drenagem, pavimento deteriorado e sinalização deficiente podem comprometer progressivamente uma estrutura e elevar o custo de recuperação quando a intervenção é adiada.

Ao incluir esses serviços no mesmo programa que trata da iluminação e da transformação estética, a Prefeitura tenta mudar a percepção de que revitalizar significa apenas pintar.
Segundo o secretário municipal de Infraestrutura, Madson Rodrigues, a estratégia é tratar os complexos de maneira mais ampla, considerando conservação, segurança e integração com a cidade.
Arte urbana
Talvez a mudança mais perceptível para quem circula pelos locais seja justamente aquela que não interfere diretamente na engenharia dos viadutos.
Grafites, iluminação e paisagismo passaram a ocupar áreas que tradicionalmente eram tratadas apenas como espaços residuais sob as estruturas de concreto.

No Miguel Arraes, por exemplo, artistas começaram a utilizar as paredes como grandes painéis urbanos. O projeto prevê referências à cultura e à culinária regional, numa tentativa de associar a infraestrutura à identidade amazônica.
É nesse ponto que o programa assume também uma dimensão de requalificação urbana. Viadutos são construídos para resolver conflitos de tráfego, mas inevitavelmente modificam o ambiente ao redor. Quando as áreas inferiores ficam degradadas, essa transformação pode produzir espaços escuros, pouco utilizados e visualmente hostis.
A aposta da Prefeitura é fazer o caminho inverso: usar a recuperação estrutural como oportunidade para reintegrar esses pontos à cidade.
Nova etapa
O programa ainda está em execução e a Prefeitura não detalhou publicamente, nas divulgações consultadas, os nomes dos dez complexos que formarão todo o primeiro pacote.
Já estão confirmadas intervenções no Miguel Arraes, Dom Jackson Damasceno Rodrigues, na passagem inferior da Constantino Nery com Theomário Pinto e no Complexo Engenheiro Luiz Augusto Veiga Soares.
Paralelamente, Manaus vive outro movimento na mobilidade: enquanto recupera estruturas antigas, a Prefeitura mantém a construção do Complexo Viário Passarão, na zona Oeste. Em 12 de agosto, a obra estava com 30% de execução e nove pontos percentuais à frente do cronograma informado pelo município.
Os dois movimentos ajudam a desenhar a estratégia atual para a infraestrutura da capital: ampliar a malha de grandes intervenções, mas também impedir que estruturas já consolidadas continuem envelhecendo sem manutenção.
Para quem passa todos os dias por esses corredores, a diferença começa pela aparência. Para a cidade, porém, a transformação mais importante poderá estar justamente no estabelecimento de uma rotina de conservação antes que pequenas falhas se transformem em grandes problemas.
Fotos: Iury Coelho/Seminf


