Violência contra a mulher avança em Barcelos e leva vereadoras ao TCE-AM
Bancada feminina busca orientação técnica junto à Tribunal de Contas do Estado do Amazonas após casos recentes, incluindo feminicídio, e articula reforço nas políticas públicas no município
Em um movimento que ultrapassa a formalidade institucional e revela a urgência de uma pauta sensível no interior do Amazonas, vereadoras do município de Barcelos recorreram ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas em busca de orientação técnica e apoio para enfrentar o avanço da violência contra a mulher na região.
Recebidas pela conselheira-presidente Yara Amazônia Lins, na sede da Corte, as parlamentares Raycka Lacerda, Deusa Mota e Lanna Raquel — que compõem a bancada feminina da Câmara Municipal — transformaram uma agenda institucional em um gesto político com forte carga simbólica: levar ao órgão de controle um problema que, segundo elas, já ultrapassa o limite do alerta.
A reunião ocorreu em um contexto marcado por registros recentes de feminicídio em Barcelos, o que elevou o tom da preocupação e motivou a busca por interlocução direta com o Tribunal.
Alerta crescente
Mais do que relatar números, as vereadoras apresentaram um cenário de agravamento da violência de gênero no município, apontando fragilidades na rede de proteção e a necessidade de respostas mais estruturadas do poder público.
“Infelizmente, temos um dado alarmante de violência contra a mulher e, nos últimos anos, têm ocorrido feminicídios. Viemos pedir orientação para fortalecer esse olhar do Estado para Barcelos”, afirmou a vereadora Raycka Lacerda, ao destacar o caráter emergencial da pauta.
O movimento da bancada feminina sinaliza uma tentativa de romper o isolamento institucional comum em municípios do interior, onde muitas vezes a capacidade técnica e a estrutura de enfrentamento são limitadas.
Diálogo técnico
Durante o encontro, a presidente do TCE-AM reforçou o papel orientador da Corte, destacando que o Tribunal não atua apenas como órgão fiscalizador, mas também como indutor de políticas públicas mais eficientes.
“É fundamental que os municípios tenham esse diálogo com os órgãos de controle. O Tribunal está à disposição para orientar e contribuir com iniciativas que fortaleçam as políticas públicas, especialmente em pautas sensíveis que exigem atuação integrada”, afirmou Yara Amazônia Lins.
A fala reforça uma linha que vem sendo adotada pela atual gestão do Tribunal: ampliar a atuação preventiva e técnica, especialmente em áreas sociais críticas.
Representatividade
Para além do conteúdo da reunião, o encontro também carrega um componente simbólico relevante. As vereadoras destacaram a importância de dialogar com uma mulher à frente de uma das principais instituições de controle do Estado.
“Ela é uma referência de mulher dentro do Amazonas, por ter chegado ao ápice de uma instituição que orienta a administração pública. Foi muito importante esse momento com ela”, afirmou Lanna Raquel.
O reconhecimento reforça a dimensão política da representatividade feminina em espaços de poder, especialmente quando a pauta em discussão envolve diretamente direitos das mulheres.
Encaminhamento prático
Como resultado da agenda, ficou definido um encaminhamento concreto: a realização de uma ação itinerante da Ouvidoria da Mulher do TCE-AM em Barcelos. A iniciativa deve ampliar o acesso a canais de escuta, acolhimento e orientação, além de fortalecer a articulação institucional no município.
“A ouvidoria da mulher do Tribunal de Contas irá até Barcelos para fortalecer essa política pública e dar mais visibilidade à nossa voz junto ao Estado”, destacou Raycka Lacerda.
Interior em pauta
O encontro evidencia um movimento que tende a ganhar força nos próximos anos: a busca de municípios do interior por apoio técnico junto a órgãos de controle para enfrentar desafios sociais complexos.
No caso de Barcelos, a pauta da violência contra a mulher expõe não apenas um problema local, mas um retrato de fragilidades estruturais que ainda persistem em diferentes regiões da Amazônia.
Ao levar o tema ao TCE-AM, a bancada feminina sinaliza que o enfrentamento da violência de gênero exige mais do que ações pontuais — demanda articulação, orientação técnica e, sobretudo, presença institucional.
Fotos: Filipe Jazz


