Filme imersivo resgata trajetória de Eunice Michiles e reforça protagonismo feminino na política
Produção em realidade virtual do Senado coloca em destaque a primeira senadora eleita pelo voto no Brasil e reacende debate sobre presença das mulheres nos espaços de poder
A trajetória de Eunice Michiles, primeira mulher a ocupar uma cadeira no Senado Federal pelo voto popular, ganha agora uma nova dimensão — literalmente. Em formato de realidade virtual 3D, o filme “Eunice, a primeira senadora” coloca o público dentro da história de uma das personagens mais simbólicas da política brasileira, com raízes no Amazonas e papel decisivo na abertura de caminhos para a presença feminina no Congresso.
Mais do que uma produção audiovisual, o projeto se insere em um movimento institucional de resgate da memória política sob uma perspectiva contemporânea, utilizando tecnologia imersiva para aproximar o público de momentos decisivos da história nacional. Ao revisitar a atuação de Eunice em um ambiente político predominantemente masculino, o filme reforça o debate sobre igualdade de gênero e representatividade — temas que seguem atuais e urgentes.

Uma mulher amazônida
Ambientado no início da década de 1980, o filme conduz o espectador por episódios marcantes da atuação de Eunice Michiles em um período de intensas transformações políticas no Brasil. Em meio a um cenário de transição e instabilidade, a senadora enfrentou resistências, rompeu barreiras e consolidou sua presença em um espaço historicamente ocupado por homens.

Sua trajetória carrega um simbolismo ainda mais forte para o Amazonas, ao projetar nacionalmente uma liderança feminina oriunda da região Norte, em um contexto de baixa representatividade política. Ao trazer essa narrativa para o centro da experiência, o Senado reposiciona Eunice não apenas como pioneira, mas como referência para novas gerações de mulheres.

A personagem é interpretada pela atriz Carolina Monte Rosa, que conduz a narrativa em uma linguagem sensorial e envolvente, ampliando a conexão do público com os desafios e conquistas da senadora.
Memória e representatividade
A experiência em realidade virtual permite que o espectador acompanhe os acontecimentos como se estivesse presente nas cenas, criando uma relação mais direta com a história. A proposta rompe com o modelo tradicional de comunicação institucional e aposta na imersão como ferramenta de educação política e valorização da memória.

Segundo a diretora da Secretaria de Relações Públicas do Senado, Juliana Borges, a escolha de Eunice Michiles dialoga diretamente com a política de incentivo à igualdade de gênero dentro da Casa.
“A ideia é dar visibilidade à atuação das mulheres e permitir que o público reconheça a importância do pioneirismo da senadora naquele período”, afirmou.
Protagonismo que ecoa no presente
O resgate da trajetória de Eunice ocorre em um momento em que o Brasil ainda enfrenta desafios significativos para ampliar a participação feminina na política. Apesar de avanços, as mulheres continuam sub-representadas nos espaços de decisão, especialmente em cargos eletivos.
Nesse contexto, iniciativas como o filme reforçam não apenas a memória institucional, mas também a necessidade de continuidade desse movimento. Ao revisitar o passado, o Senado lança luz sobre o presente — e sobre o futuro da representatividade política no país.
Mais do que contar a história de uma parlamentar, o projeto reafirma o papel das mulheres na construção da democracia brasileira. E, ao colocar uma amazonense no centro dessa narrativa, também projeta o protagonismo da região Norte em um debate que é nacional.
Fotos: Arquivo (Senado Federal e pessoal)


