DESTAQUEECONOMIA

Amazonas entra na corrida global pelos minerais estratégicos

Anúncios de investimentos em janeiro e fevereiro colocam o estado no centro da disputa internacional por terras raras e minerais críticos

Em menos de 30 dias, dois anúncios de capital estrangeiro mudaram o eixo do debate econômico no Amazonas. No dia 28 de janeiro de 2026, foi confirmado investimento de US$ 100 milhões na Mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo. Em 18 de fevereiro de 2026, a mineradora australiana Brazilian Critical Minerals Ltd (BCM) anunciou aporte de R$ 285 milhões para exploração de terras raras em Apuí.

A soma dos dois movimentos não é coincidência. Ela sinaliza que o Amazonas entrou oficialmente na corrida global pelos minerais estratégicos.

Terras raras e minerais críticos são insumos essenciais para baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, chips, equipamentos militares e tecnologias da transição energética. Em um cenário de disputa entre China, Estados Unidos e União Europeia, o Brasil passa a ocupar posição estratégica. E o Amazonas surge como novo território geoeconômico.

Janeiro abre o ciclo com Pitinga

O primeiro anúncio veio no fim de janeiro, com o plano de investimento de US$ 100 milhões até 2028 na Mina de Pitinga, operada pela Mineração Taboca, controlada por capital chinês.

O aporte prevê modernização industrial, expansão da capacidade produtiva, pesquisa mineral e investimentos em governança ambiental e social.

Território amazônico entra no radar internacional com investimentos em minerais estratégicos anunciados em 2026

Embora Pitinga seja historicamente voltada para estanho, nióbio e tântalo, a ampliação das pesquisas para minerais estratégicos associados insere o complexo no contexto global de insumos críticos.

Com isso, Presidente Figueiredo passa a integrar diretamente a disputa internacional por cadeias de suprimento mais seguras e diversificadas.

Fevereiro confirma Apuí na rota das terras raras

Poucas semanas depois, em 18 de fevereiro, a BCM anunciou investimento de aproximadamente R$ 285 milhões para exploração de terras raras em Apuí, no sul do Amazonas.

A previsão é iniciar produção comercial em 2027. A empresa já sinalizou interesse de mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia.

Apuí, que historicamente aparece nas estatísticas de pressão ambiental, agora entra também no radar da economia mineral estratégica.

O anúncio consolida um novo eixo: capital australiano no sul do estado e capital chinês no norte da região metropolitana de Manaus.

Impactos na economia do Amazonas

O impacto potencial vai além dos números anunciados.

Primeiro, há diversificação econômica. O estado amplia sua base produtiva para além da Zona Franca de Manaus, fortalecendo o interior.

Segundo, há possibilidade de aumento de arrecadação via CFEM, geração de empregos diretos e indiretos e estímulo a cadeias logísticas.

Terceiro, abre-se a discussão sobre verticalização. Se houver processamento e refino no estado, o Amazonas pode capturar valor agregado. Caso contrário, o risco é repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima bruta.

O momento é decisivo para definir qual caminho será adotado.

Dimensão ambiental

Os dois projetos estão em áreas sensíveis do ponto de vista ambiental.

Apuí já enfrenta desafios relacionados ao desmatamento e conflitos fundiários. A mineração de terras raras envolve processos químicos complexos que exigem controle rigoroso.

Em Pitinga, a modernização industrial vem acompanhada de promessa de investimentos em ESG. O desafio será transformar compromisso em prática.

O debate não é apenas econômico. É estrutural. Trata-se de conciliar exploração mineral com governança ambiental robusta e transparência.

Amazonas no tabuleiro geopolítico

A China domina hoje grande parte do refino mundial de terras raras. Países ocidentais buscam alternativas estratégicas. O Brasil aparece como opção relevante.

Com os anúncios de janeiro e fevereiro de 2026, o Amazonas deixa de ser apenas ativo ambiental e passa a ser também ativo mineral estratégico.

A entrada simultânea de capital chinês e australiano no estado revela que o subsolo amazonense já está no radar internacional.

A questão central agora é política e econômica:

O Amazonas será protagonista industrial na cadeia dos minerais críticos ou permanecerá como fornecedor primário de insumos?

O ciclo iniciado neste primeiro trimestre de 2026 pode redefinir o papel do estado na economia brasileira e na transição energética global.

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