Serafim reage a deputado do Sul e reforça trincheira em defesa da Zona Franca
Secretário da Sedecti reage a críticas recorrentes ao modelo e acende novo capítulo da disputa política em torno dos incentivos de Manaus e do papel ambiental do Polo Industrial
A defesa da Zona Franca de Manaus voltou ao centro do debate nacional. Depois das falas do deputado federal Gilson Marques (Novo-SC), o secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa, reagiu e sugeriu que o parlamentar parasse de “falar besteira”.
A declaração de Gilson ocorreu na tribuna da Câmara dos Deputados, durante debate envolvendo incentivos fiscais e distorções regionais no sistema tributário. O deputado voltou a questionar o modelo da Zona Franca, associando-o ao que considera privilégios fiscais que impactariam a arrecadação nacional.
A resposta de Serafim veio por meio de manifestação pública em suas redes sociais, onde o secretário classificou as críticas como desinformadas e reiterou que o modelo amazonense está amparado constitucionalmente e cumpre papel estratégico na preservação ambiental e na geração de empregos.
Debate que vai além da economia
O embate não é isolado. A Zona Franca de Manaus, administrada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus, é frequentemente alvo de questionamentos de parlamentares do Sul e Sudeste, sobretudo em momentos de discussão sobre reforma tributária ou equalização de incentivos regionais.
Para o governo do Amazonas, no entanto, a defesa do modelo ultrapassa a dimensão fiscal. O argumento central é que o Polo Industrial sustenta mais de 100 mil empregos diretos, injeta bilhões na economia regional e funciona como uma “barreira econômica” contra o avanço do desmatamento.
O tom político da resposta
Ao elevar o tom, Serafim sinaliza que o governo estadual não pretende deixar críticas sem contraponto imediato. O gesto também reforça uma estratégia recorrente: ocupar o debate nacional antes que narrativas contrárias ao modelo ganhem força.
Nos bastidores, a avaliação é de que cada manifestação crítica fora da região exige reação rápida, sobretudo num momento em que a regulamentação da reforma tributária ainda gera inseguranças quanto à manutenção plena das vantagens comparativas do Polo Industrial de Manaus.
O pano de fundo federativo
O embate escancara uma disputa federativa antiga. Estados industrializados questionam incentivos; o Amazonas responde com o argumento da desigualdade histórica e da necessidade de políticas diferenciadas para manter a floresta em pé.
Mais do que um choque verbal, o episódio revela que a Zona Franca continua sendo terreno sensível no tabuleiro político nacional — e que qualquer fala em Brasília pode ecoar com força às margens do Rio Negro.


