Operação da Polícia Civil expõe rede do tráfico com infiltração em órgãos públicos no Amazonas
Polícia Civil cumpre 47 mandados em sete estados, aponta movimentação de R$ 70 milhões e prende servidores e ex-assessores ligados a esquema criminoso
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou na sexta-feira (20/2) a Operação Erga Omnes, que desarticulou uma estrutura do tráfico de drogas com indícios de infiltração em órgãos públicos no Amazonas. Ao todo, foram cumpridos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em sete estados do país, incluindo Amazonas, Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí, Maranhão e São Paulo.
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, “o crime organizado estava sendo administrado pela própria administração pública”, ao detalhar o avanço da operação.
Relatórios de inteligência financeira, utilizados pelos investigadores, indicam que o grupo teria movimentado cerca de R$ 70 milhões nos últimos quatro anos, por meio de empresas de fachada que simulavam atividades legais, sobretudo nos setores de transporte e logística.
A apuração também identificou que parte da droga teria origem na região de fronteira com a Colômbia e chegava a Manaus antes de ser distribuída para outras localidades no país.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, a estrutura do tráfico era dividida em diferentes núcleos: Operacional — responsável pela logística e distribuição; Financeiro — encarregado da movimentação e ocultação de recursos; e de Apoio institucional — com participação de pessoas com vínculos em órgãos públicos que facilitavam procedimentos e acesso a informações funcionais.
Investigações também apuram possível vazamento de informações sigilosas, o que poderia ter permitido antecipação de ações policiais e enfraquecido o combate ao crime.
Prisões e investigados
Até o momento, a Operação Erga Omnes resultou na prisão de 14 pessoas, a maioria com vínculos profissionais formais. Entre os presos confirmados pela Polícia Civil estão:
Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus;
Alcir Queiroga Teixeira Júnior;
Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
Bruno Renato Gatinho Araújo;
Ronilson Xisto Jordão – preso no município de Itacoatiara.
Um dos alvo apontados como liderança do esquema não foi localizado e é considerado foragido, segundo autoridades policiais.
Crimes investigados
A Polícia Civil apura a prática de diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva
Violação de sigilo funcional, os investigados ainda não foram julgados; todos têm direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme estabelece a legislação brasileira.
Impacto institucional
A ação expõe um padrão que preocupa especialistas em segurança pública: a tentativa de estruturação empresarial por parte do tráfico, com apoio institucional, acesso a dados sigilosos e cooptação de servidores para reduzir riscos às operações criminais.
Segundo o delegado Marcelo Martins, “o crime organizado estava sendo administrado pela própria administração pública”, sinalizando um nível de complexidade elevado no uso de mecanismos formais para proteger atividades ilícitas.
A Polícia Civil informou que novas fases da operação não estão descartadas.


