DESTAQUEPOLÍTICA

David retoma agenda, acelera entregas e envia recado claro ao tabuleiro sucessório

Maratona de vistorias reforça prioridade na saúde e sinaliza posicionamento estratégico no ambiente político do Amazonas

No primeiro dia oficial de retorno às atividades administrativas, nesta quinta-feira (19), o prefeito de Manaus, David Almeida iniciou uma maratona de vistorias técnicas que percorreu sete obras estruturantes em todas as zonas da capital. A agenda foi operacional. Mas também foi política.

Ao concentrar investimentos na atenção básica, na saúde mental, no esporte comunitário e no turismo como vetor econômico, o prefeito não apenas acompanhou cronogramas. Ele ocupou espaço. E, no atual ambiente sucessório do Amazonas, ocupar espaço é estratégia.

A primeira parada foi na Unidade de Saúde da Família (USF) Dom Milton Corrêa, no bairro Santo Agostinho. Com entrega prevista para março, a unidade reforça a porta de entrada do SUS na atenção primária, onde prevenção e acompanhamento territorial fazem diferença direta na vida da população.

Na sequência, a vistoria na Policlínica Djalma Batista, na Compensa, destacou o papel da média complexidade na redução de filas e deslocamentos. Já na zona Norte, as novas USFs Augias Gadelha e Monte das Oliveiras ampliam a cobertura da Estratégia Saúde da Família em áreas densamente povoadas.

A visita ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do Viver Melhor fecha um ciclo que não é apenas administrativo. É simbólico. A saúde mental deixou de ser política periférica e passou a integrar o núcleo estratégico da gestão.

“Quem depende da saúde pública não pode esperar. Nosso papel é acelerar, fiscalizar e entregar”, afirmou o prefeito.

A frase não é apenas institucional. Ela dialoga com o eleitorado que mais influencia eleições majoritárias no Amazonas: quem depende do serviço público.

Desenvolvimento social e presença territorial

A agenda incluiu ainda o complexo esportivo 11 de Maio, na Colônia Antônio Aleixo, e o parque Encontro das Águas Rosa Almeida — projeto com conceito associado a Oscar Niemeyer — com entrega prevista para agosto.

Ao combinar saúde, esporte e turismo, a gestão constrói uma narrativa de desenvolvimento que integra inclusão social e dinamismo econômico. O parque, em especial, reforça o posicionamento de Manaus como destino estruturado, ampliando o discurso de cidade que gera emprego e renda.

No ambiente político atual, essa combinação não é casual.

A mensagem no ano eleitoral

O Amazonas já vive clima pré-eleitoral. Movimentações partidárias recentes, realinhamentos e articulações indicam que 2026 será uma disputa intensa pelo comando do Estado.

Nesse cenário, cada gesto administrativo ganha leitura política.

Ao retomar a agenda com intensidade e foco em entregas previstas já para março, David Almeida envia três sinais claros de continuidade administrativa — reforça que o segundo mandato está ativo e sob controle. Também deixa claro a capacidade de execução — prioriza áreas sensíveis que dialogam com o eleitorado popular; a presença territorial — percorre todas as zonas da cidade em um único dia. Mais do que vistoriar obras, o prefeito reafirma comando institucional.

Entre a gestão e a sucessão

No Amazonas, a fronteira entre gestão municipal e ambiente estadual sempre foi permeável. Manaus concentra mais da metade do eleitorado do Estado. Quem controla a narrativa na capital larga na frente em qualquer disputa majoritária.

A maratona de vistorias ocorre justamente quando o tabuleiro sucessório começa a se desenhar. Prefeitos, vice-governadores, senadores e lideranças partidárias reposicionam peças.

David Almeida não anunciou candidatura a nada além da Prefeitura. Mas política também se faz por gestos. E, ao priorizar saúde básica, saúde mental e equipamentos comunitários, ele constrói capital político silencioso.

É uma estratégia clássica: consolidar base popular antes que o debate eleitoral se intensifique.

Turismo como ativo econômico e eleitoral

A vistoria no parque Encontro das Águas também carrega leitura estratégica. Turismo é economia, mas também é imagem. Ao associar a gestão a um projeto de grande impacto visual e potencial de geração de renda, o prefeito amplia o discurso de desenvolvimento sustentável.

No Amazonas, onde a pauta ambiental e econômica convivem em tensão permanente, investir em turismo estruturado é posicionamento político.

Retomada que não foi simbólica

O retorno à agenda não teve tom protocolar. Foi ritmo acelerado, cobrança pública de prazos e cobrança explícita às empresas contratadas.

“Não basta autorizar a obra. É preciso acompanhar”, afirmou.

A frase ecoa além da gestão. Em ambiente pré-eleitoral, ela dialoga com a expectativa de comando firme.

Se 2026 já está no horizonte, a mensagem enviada nesta quinta-feira é clara: a gestão quer chegar ao próximo ciclo com entregas concretas, não apenas discurso.

No Amazonas, onde alianças se movem rápido e cenários se transformam com a mesma velocidade do noticiário, presença territorial e execução administrativa continuam sendo os ativos mais sólidos.

E David Almeida parece ter consciência disso.

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