Posse de Danielle Mady no comando da PF evidencia avanço feminino no poder público
Cerimônia no MPAM evidencia sororidade institucional e consolidação feminina em áreas estratégicas do Estado
A manhã desta quarta-feira (11) marcou um ponto de inflexão no desenho institucional do Amazonas. A delegada Danielle de Meneses Oliveira Mady, primeira manauara a assumir a Superintendência Regional da Polícia Federal no estado, tomou posse em uma cerimônia que extrapolou o rito administrativo e se consolidou como retrato da ampliação da presença feminina nos espaços de comando do poder público amazonense.
A solenidade foi realizada no auditório do Ministério Público do Estado do Amazonas, escolha que carregou um simbolismo institucional relevante. O órgão é comandado por uma mulher, Leda Mara Albuquerque, reconduzida pela segunda vez ao cargo de procuradora-geral de Justiça do Amazonas, após uma trajetória de quase três décadas no Ministério Público. Ao sediar o evento, o MPAM se tornou também expressão concreta de um novo tempo institucional: mulheres não apenas participam das estruturas de poder — elas as dirigem.
O fato da solenidade de posse acontecer na sede do MPAM funcionou como uma afirmação institucional silenciosa, mas contundente, da maturidade da liderança feminina no estado.
Lideranças femininas e a reorganização do poder
Nesse contexto, a cerimônia foi marcada pela convergência de mulheres que hoje ocupam postos centrais nas estruturas do Estado, reunindo representantes das esferas federal, estadual e municipal em um mesmo espaço de decisão. O ambiente traduziu um movimento que, longe de ser episódico, revela uma reorganização gradual e consistente dos espaços de poder no Amazonas.
Entre as autoridades presentes esteve a presidente do Tribunal de Contas do Amazonas, Yara Amazônia Lins, cuja trajetória no controle externo simboliza a consolidação feminina em áreas historicamente ocupadas por homens. Sua presença reforçou o diálogo institucional entre órgãos de fiscalização, Justiça e segurança pública, além de evidenciar um novo arranjo de poder sustentado pela competência técnica, pela trajetória profissional e pelo reconhecimento institucional.
Mais do que discursos, o que se viu foi um exercício prático de sororidade institucional: mulheres que se reconhecem como pares no comando de instituições estratégicas, legitimando trajetórias e fortalecendo redes de cooperação dentro do Estado.
Uma mulher no comando da Polícia Federal no Amazonas
Natural de Manaus, Danielle Mady assume a Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas como a primeira manauara a ocupar o posto e a segunda mulher a comandar a instituição no estado. Formada em Direito pela Universidade Federal do Amazonas, ela acumula 17 anos de atuação na Polícia Federal, com passagens por funções estratégicas tanto no Amazonas quanto no Distrito Federal.
Antes de ingressar na PF, atuou como servidora da Justiça Federal, experiência que contribuiu para uma visão integrada do funcionamento das instituições públicas. Ao longo da carreira, recebeu reconhecimentos por mérito e eficiência, entre eles a Medalha Mérito Integração de Segurança Pública, concedida em 2024 pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal.
Sua chegada ao comando da Polícia Federal ocorre em um momento estratégico para a Amazônia, marcado pelo fortalecimento das ações de combate ao crime organizado, aos crimes ambientais e a fraudes que impactam diretamente a região.
O símbolo e o impacto institucional
Ao dividir o mesmo espaço institucional, mulheres como Yara Amazônia Lins, Leda Mara Albuquerque e Danielle Mady materializam um avanço que ultrapassa o simbolismo. Elas representam uma transformação estrutural no poder público, construída a partir de trajetórias longas, reconhecimento técnico e legitimidade institucional.
A presidente do TCE-AM destacou, durante a cerimônia, que a cooperação entre instituições se fortalece quando incorpora diversidade e competência, ressaltando que o aprimoramento da governança pública passa, necessariamente, pela ampliação da participação feminina nos espaços de decisão.
Um novo tempo institucional
Mais do que uma solenidade, a posse de Danielle Mady sinalizou um novo tempo institucional no Amazonas. Um tempo em que o avanço feminino nos espaços de poder se afirma sem militância explícita, mas com densidade histórica, técnica e política.
É nesse movimento silencioso — feito de presença, reconhecimento e articulação — que o Estado passa a refletir, de forma mais equilibrada e madura, a sociedade que representa.


