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Segundo ato da posse de Sabá Reis no PDT acelera o jogo e coloca David Almeida no centro da disputa no Amazonas

Quando a política sai do palco e se resolve à mesa. Almoço político após a cerimônia formal antecipa transições de poder, pressiona aliados ambíguos e reorganiza o tabuleiro eleitoral no Estado

A posse de Sabá Reis no comando do PDT-AM teve discursos, registros oficiais e aplausos. Mas foi longe dos holofotes, fora do palco e das câmeras, que ocorreu o segundo ato decisivo desse movimento político — aquele que, de fato, antecipa cenários, acelera o jogo eleitoral e coloca David Almeida no centro da disputa no Amazonas.

O almoço que reuniu os presidentes nacionais do PDT e do Avante, Carlos Lupi e Luís Tibé, não foi um encontro social. Foi um gesto político de alta densidade simbólica, com mensagens claras tanto para aliados quanto para adversários.

Na liturgia do poder, quem se senta à mesma mesa compartilha projeto ou se prepara para defini-lo. A presença conjunta de Lupi e Tibé em Manaus, logo após a posse, revela que a mudança no comando do PDT não é um movimento isolado, mas parte de uma engenharia política maior, já conectada ao calendário eleitoral de 2026.

Ali, o discurso deu lugar à coordenação. O protocolo cedeu espaço à estratégia. E o gesto foi mais eloquente do que qualquer fala pública.

Tadeu de Souza e a antecipação da transição estadual

O simbolismo do almoço se amplia com a presença do vice-governador Tadeu de Souza. Ele surge como peça-chave do próximo movimento institucional previsto para abril, quando o governador Wilson Lima deve deixar o cargo para disputar uma das vagas ao Senado da República.

Com essa saída, Tadeu passa a ocupar o comando da máquina estadual. Sua participação no encontro indica que o grupo político já trabalha com transição planejada, antecipando decisões e reduzindo incertezas — um ativo raro no cenário político amazonense.

Renato Junior e o encaixe da engrenagem municipal

No mesmo redesenho, Renato Junior assume papel estratégico ao se preparar para comandar a Prefeitura de Manaus. Sua presença no almoço fecha o circuito institucional entre Estado, município e articulação partidária, reforçando a ideia de alinhamento e previsibilidade.

O segundo ato da posse, portanto, não foi apenas político. Foi também administrativo, ao antecipar a convivência entre as duas principais máquinas de poder do Amazonas.

Saullo Vianna e o fim da ambiguidade confortável

Entre todos os presentes, a presença do deputado Saullo Vianna talvez seja a mais reveladora. Integrante da equipe de secretários do prefeito David Almeida, Saullo já declarou apoio ao senador Omar Aziz, possível adversário no campo eleitoral.

Ainda assim, estava à mesa dos principais apoiadores do projeto político liderado por David Almeida.

Na prática, o gesto encerra a zona de conforto. A política cobra coerência, sobretudo quando se ocupa espaço na máquina pública. O recado é inequívoco: ou se permanece no projeto, ou se deixa o espaço que ele oferece. O almoço também funcionou como instrumento de enquadramento político — silencioso, mas eficaz.

David Almeida no centro do jogo, sem precisar discursar

O dado mais expressivo do segundo ato da posse de Sabá Reis no comando do PDT Amazonas é que David Almeida não precisou protagonizar o encontro para ser o seu eixo central. Todas as presenças, conversas e sinais orbitavam em torno do seu projeto político.

Quando um nome se impõe sem anunciar candidatura formal, sem subir ao palco e sem tensionar publicamente o ambiente, a mensagem é clara: o campo já está organizado ao seu redor. E isso acelera o relógio dos adversários.

Conclusão: o almoço que confirmou o que a posse anunciou

A posse de Sabá Reis foi o anúncio formal. O almoço foi a confirmação estratégica. Juntos, os dois momentos revelam um movimento político que antecipa transições, acelera decisões e reduz o espaço para ambiguidades.

O segundo ato da posse, longe dos holofotes, mostrou onde o poder realmente se reorganiza. E, nesse rearranjo, David Almeida emerge como o nome que dita o ritmo da disputa no Amazonas — enquanto os demais precisam decidir, rapidamente, se acompanham o passo ou ficam para trás.

Fotos: Divulgação redes sociais

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